209. da autonomia dos voos

Quando a vida passa e o tempo e seus sonhos passam juntos e o mês desanda a correr dentro dos dias.

A estação muda as cores e o sentido e a secura amarela as folhas enquanto a ave espreita o vento que muda o tempo – mas eu nem tenho tempo.

O moço que se encanta pela cidade pequena cria histórias que não existe dentro da minha história.

Ele passa silencioso na imensidão da manhã. Culpa o sistema pela vontade exagerada entre voar e sentir.

Não sente urgência na palavra amor e a paisagem traz a fumaça do mês que ainda nem veio.

Podia ser um nome em sentido de asas. A palavra curta definida no pouso. O jardim a crescer com as ervas daninhas. Se eu pudesse, apagaria os instantes diante da dor e o século seria o momento seguinte que ainda não vivi.

O mapa a desenhar as partes dos atlas. O muro feito de prego e o verbo era suspirar.

 

 

Mariana Gouveia
209. da autonomia dos voos

 

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