210. da autonomia dos voos

 

Você tem essa ternura destemida do olhar dentro da minha palavra.

 

Não colheu as flores do dia. Ouviu a canção do mar dentro nas conchas esparramadas na estante.
Fechou os olhos diante da dor – as 45 gotas lembrou as sementes da romã – o coração esparramado em pedaços nas folhas.
Choveu no jardim com o regador para o cheiro de terra exalar onde a secura predomina nesse inverno.
Falou sobre ansiedade com a alma. O silêncio do vento – quase brisa – a calar vontades.
Essa asa é quase um cheiro de maresia não solúvel no ar.
A circulação é essa coisa universal que vem com a asa.
A liberdade límpida do vento parado dentro da ave de todo dia. É a respiração viva do amor.
O varal a contar histórias dentro dos voos e sua autonomia delimitando brisas.
O produto derivado da ave é o voo e a delicadeza vem em forma de beijo.

Ave, beija!

 

Mariana Gouveia
210. da autonomia dos voos
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3 comentários em “210. da autonomia dos voos

  1. mariel disse:

    Ouvir o mar dentro da concha foi um ensinamento do meu pai, marinheiro acostumado à paciência que os oceanos exigem. E ele sempre chegava, veja só, na forma de beijo.

    Curtido por 1 pessoa

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