236. das impressões do dia seguinte

 

Já não chove como antes. Agosto arde dentro da tarde, enquanto o cerrado respira lentamente a vida e a seiva prepara-se para os frutos e o verde.

Os meus lugares reais me povoa de sensação de magia e os de fugas viram portas onde te procuro.
Caminho entre o seco e o novo. Tenros brotos a brigar com a secura do deserto.
Era ali, amanhã, um dia qualquer. O destino traçado em minha mão de sorte.
A palavra entre nós – surdas que somos – tem a receita da dor. Era de novo o dia da dor e o arder da tarde latejava na pele, o aviso. O braço parado para o aceno e os dias perdidos dentro do calendário.
Era uma vez, assim. Tão tarde. Que arde.

Mariana Gouveia
236. das impressões do dia seguinte
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