237. das impressões do dia seguinte

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Perco-me dentro de você através dos séculos. Falta- me essa presença oscilante entre a solidão e o tato.
Devia te contar que hoje chorei e que chamei seu nome infinitas vezes.
Conheci um menino que trazia uma flor no cabelo – riu do meu, tão curto, em piada para os amigos – e a menina que ria com ele percebeu que ele tinha primavera no olhar.
Coube pétalas brancas na lição do dia. Descobri que não havia jeito de desabraçar um abraço dado. E que um estrangeiro pode ter sinal de partida logo na chegada.
Escrevi muitas histórias para te contar… Depois, desfiz cada uma e dividi em cartas que talvez você nunca vai ler.
70 páginas onde a lua apenas me avisa que a vida é feita de fases e que a solidão é vivida em noites de lua. Minguante.

Mariana Gouveia
237. das impressões do dia seguinte
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