239. das impressões do dia seguinte


Havia aquele ensaio de jeito de asa. A mãe espreita e voa para o primeiro passo.
Sou apenas coadjuvante da história. Registro o medo no olho. Os filhos, são assim, no improviso do querer, do não querer. Talvez, a vontade seja apenas esse não arriscar fora da segurança.
Vigio os instantes do dia entre o dia que aqueceu mais do que o normal aqui. Consigo presenciar momentos que a vida me dá. Oferta simples de quem colhe o que planta. Nasceu aqui, no meu quintal,  vidas.
E vendo a mãe a voar espaços mais longos, durante o dia… e voltar para que o pequeno pássaro tentasse e fosse tão mais longe do que ela – apesar do medo – e ele conseguir até o telhado da vizinha é algo que a memória me presenteia com recordações.
Um voa, além do muro… O outro, arrisca-se e volta.
depois de um tempo – quase nada – e  de algumas tentativas resta apenas o ninho vazio e a liberdade de poder sentir a asa flutuar. O futuro é além da cerca e do muro, mas a segurança, está ali, no meu pé de algodão, do meu quintal.

 

Mariana Gouveia
239. das impressões do dia seguinte

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2 comentários em “239. das impressões do dia seguinte

  1. SC disse:

    “Um voa, além do muro… O outro, arrisca-se e volta”…doce Mariana❤ , beijo além mar! 🌹

    Curtido por 1 pessoa

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