262. Entre uma estação e a primavera

Leio histórias que lembram você. O homem da esquina entoa um mantra dentro da solidão – pede sementes da flor que nem nasceu – faz perguntas sobre o amor que canto na letra da canção.

Inventei sua presença, ali, no canto do jardim. É lá que beijo pétala a pétala da flor.

Essa impossibilidade do toque não me afeta – fecho os olhos e a alma busca – porque eu toco-a.

Vejo de perto seus caminhos – seu céu sob o rio – e outras mãos que podem te tocar.

Era quase nada essa distância… é preciso um certo encantamento para viver a vida. Para superar esses corredores cheios da noite.

Perguntas rondam minha vontade de falar. Quase esqueço o último pedido do não. Onde esse medo de nada que vasculha minha noite? Onde essa flor que se abre dentro das ausências e mora nos poemas que me leem?

Onde o pólen se transforma na onda que se arrasta em meu quintal?

Dentro das perguntas em volta da flor apenas seu nome e minha declaração de amor.

 

Mariana Gouveia
262. Entre a estação e a primavera

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2 comentários em “262. Entre uma estação e a primavera

  1. Lunna Guedes disse:

    Gosto do toque a alma inventa. E um desenho no azul

    Curtido por 1 pessoa

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