273. Entre uma estação e a primavera

 

Começou a escrever a história pelas mãos dele
– as mesmas que arrancam as ervas do jardim –

a que cuida do jantar me levanta quando acontece dias como esse.

Calçou-me os sapatos e riu. Brincou com as bolinhas da roupa.

Perguntou sobre a estação. Colheu as amoras. Quis receita de geleias.

Cantou desajeitado na sorte da palavra. Sempre era o lugar daqui.

Ligou o rádio. Me olhou com olhos de serenata.

A intimidade contemplada. Desafiou-me ao riso.

Falou da geografia das horas.

– O tempo é o sinal de tudo. Tudo passa.

Mostrou-me o jardim. Era ali a direção da cura.

Fui.

Mariana Gouveia
273. Entre uma estação e a primavera

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2 comentários em “273. Entre uma estação e a primavera

  1. Maria de sa disse:

    – O tempo é o sinal de tudo. Tudo passa.-adorei Maria

    Curtido por 1 pessoa

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