274. Das infinitudes

A noite ainda não tinha a rompido a renda salmão das cortinas e você já era saudade.

Quando te falei das estações do tempo e da tranquilidade que sentia, não sabia que uma noite demoraria uma vida – em pouco tempo – e que os dias em que você surgia, a manhã possuía o sagrado do amor.

Na época levei-te pela mão à minha mão.

Minha voz deu voz à mesma pergunta, e cadê?

– chamam-lhe saudade… alguém disse. E houve dias em que endoideci no quintal. Busquei a palavra “volta” nas cartas, no horóscopo, no relicário – até rezei – e cantei as músicas que nem eram nossas, mas que falavam de amor.

Havia a mensagem que eu não apagara e li e reli a noite inteira na sobreposição do dissolvido desejo e nas palavras doces que inventamos.

E eu só pensava no teu encanto pela flor. Girava a vida em torno do sol.

Foi quando converti os silêncios e ouvi, gritantemente, a pulsação do sol…

em cada fresta da noite eu só queria a pulsação do sol.

 

Mariana Gouveia
274. Das infinitudes

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