278. das infinitudes

Tinha o peito rasgado a faca. A solidão estampada nos olhos em noite de lua uivava – alguém dizia – e criava as lendas dentro das madrugadas lentas, sem sereno.

A espiral do medo nos corredores sem luz.

É lua cheia!
O calendário avisa que há dias em que é melhor ser apenas plateia. Hora de desvendar afetos. A rota lunar sempre é uma opção de fuga. De vez em quando eu atiro facas em mim mesma.
As tremuras das mãos é quase um ocaso para o bordado que não faz mais. Era lindo o abraço do silêncio. No tarô, as mudanças lidas no búzio.

A lua observada no mirante. Vasto o mundo que sonha com a vida vista de lá. Durante o dia disfarçou o pranto várias vezes. O monstro da esquina, o prêmio de literatura, o livro que nunca leu, a mão que nunca tocou… A mulher com o vidro na mão espalhava fragrâncias de lua pela rua enquanto no quintal, ela mergulhava nas sombras do muro.

 

Mariana Gouveia
278. das infinitudes

4 comentários em “278. das infinitudes

  1. SC disse:

    Lindeza em dose dupla, beijinhos além mar Mariana!!! ❤

    Curtido por 1 pessoa

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