280. das infinitudes

Revisitou o baú das lembranças.
Fez o café com a indicação da amiga –  tirando a água antes que fervesse – aspirou o aroma e o sabor era o mesmo de sempre.
Abelhas vasculham em busca de mel.
O dia, na delicadeza das coisas era gris – a palavra lembrou uma canção –  dentro dela escreveu rotinas, redesenhou segredos, esculpiu letras. Buscou temperos e adiantou a hora do lugar. Isso de fuso deixa tudo confuso.
Gerou três poesias…Nasceu origamis no seu quintal. Colocou pra voar o mais esperto e assim, os enjôos matinais no verbo nascer pedia ajuda na lição do dia.
Enquanto gerava cantos na barriga, os pássaros de papel ganhavam a dimensão da asa.
Ali, presos, podiam voar.

Mariana Gouveia
280. das infinitudes

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