283. das infinitudes

Havia um vento morno vindo do sul. Trovejou ontem – raios rasgaram o céu – e o cheiro de terra molhada invadiu o ar e a chuva veio bravia.
A vida é feita desses instantes que ninguém escreveu. Uma janela aberta e um rio invade o quintal. Árvores com as raízes à mostra e as paredes cinzas ofuscando o clarão dos relâmpagos.
Ouço uma melodia que me traz a sensação de que nasci agora. A tempestade fazendo a mão para indicar caminhos. Tudo é escuro na noite lá fora.
Os poemas espalhados na lama como sementes. Quem sabe amanhã não nascerá as palavras da atitude.
Às vezes, o silêncio é essa goteira que pinga sem parar.
Essa luz que insiste em ser acaso… a noite, o nada e o vento.

Mariana Gouveia
283. das infinitudes
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