287. das infinitudes

 

A estação do frio invade a estação que é de flor

e o tempo é esse menino desavisado. Um poeta disse sobre isso de cair o inverno dentro da primavera. Até parece que o relógio voltou nos meses.
Colho no pé a fruta de vez – ainda nem era o tempo da colheita e o vento levou as folhas para além dos muros. Tudo gela em redor do quintal. os grafites rabiscados nos dedos não tem a arte das cores. São figuras imaginárias contadas em lendas que sabem sobre a numerologia. Conto a data dos seu dia e invento uma dimensão que intercala datas em comum.
O café na xícara a esfriar enquanto fico perdida e sem voz. Na rua de cima alguém canta uma canção sem ritmo. A vizinha narra a verdade das coisas que leu no jornal enquanto o vestido dança no varal sem o sol.
A sorte visita a menina três casas acima. A serenidade do dia vem na voz do moço que vende doces. Tem dias que vida parece um relicário na parede.

Mariana Gouveia
287. das infinitudes
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