297. das infinitudes

 

Abro a porta para um mundo imaginário.
A vida, é esse portal que se abre para a floresta.

O quintal tem os muros derrubados para fluir o vento para além das ruas.
A terra, esse aconchego de umidade de mar nas mãos.

Era silêncio na sintonia da noite.

Os avisos chegavam em ritmos de sonhos. A previsão do tempo exposta nos galhos virados para os lados do sul.
As cartas escritas como se fossem palavras tropicais. Os diários relidos um a um mudando os verbos na estação – chovera ali, onde o outono bate ao pôr do sol – a palavra definida dentro da sede – o frio invadia a brisa mansa da primavera –  e o sentimento ardendo na febre do corpo – era verão em algum canto do mundo – e a floresta absorvia a invenção do ritmo das folhas – e o inverno biologicamente antecipa as vontades de abraço – e o dialeto do rito é o silêncio.

 

Mariana Gouveia
297. das infinitudes

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2 comentários em “297. das infinitudes

  1. Bom dia Mariana,

    Estou participando daquela troca de olhares na blogosfera e hoje te indiquei ao Prêmio “The Versatile Blogger”.

    Tamo junto borboletando…

    UM abrasOM
    Adriano

    Curtido por 1 pessoa

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