315. das fragilidades secretas

Essa noite que passou fui quase todas as folhas das árvores que caíram e que o vento levou rua abaixo – e era quase suspiro sem dor – a folha indo para onde o destino quis.

Fui a vontade de claridade e o céu era escuro – e a nuvem, ocaso de nada –  e o mensageiro do vento, mudo.
Fui também as xícaras de porcelanas abandonadas na pia, ao lado dos pires sem razão nenhuma de ser amparo.
Fui sons retidos na dor – e o gemido sendo canção nas altas horas que a noite se esconde –  as dobras do tempo que não se iluminam.
Era a magia da noite. Uma borboleta dormente na mão – eu fui asa – o medo sendo dor dentro da noite e a leveza era ser dia.
As arestas do tempo a ser domínio nos ponteiros do relógio. A noite sendo dona do tempo e era hora de acontecer e eu me habituava ao modo inconfessado de rezar. Era apenas para acalmar a dor, dormir e sonhar.

 

Mariana Gouveia
315. das fragilidades secretas
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