331. das fragilidades secretas

Os olhos de ver embaçados pelas cortinas tênues que as nuvens oferecem.
A vida é essa coisa insana que vem com notícia de morte.
As perdas se juntas em conchas nas mãos – enquanto outra vida, logo ali, ri nos braços – e as lembranças surgem como se puxadas por um fio.
A iluminura do dia, o  irmão e seu estado de pensar, com o capim no canto da boca a mastigar poesias.
O ar que falta dentro dos passos. A ave de ontem a anunciar que os sinais se repetem.
A crença da mãe a desenhar histórias no olho da ave.
Acatava o aviso, mas não partilhava da mesma ideia. Sabia que a morte que acontecia – e o acaso sempre fazia uma coruja aparecer nos arredores – era porque tinha de ser e que era inerente ao pássaro.
Os olhos embaçados pelas cortinas que acolhem o afago…
A vida, é esse estado grandioso que se chama hoje.
Viva – o!
Mariana Gouveia
331. das fragilidades secretas
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