338. dos verbos indefinidos

Colhe – se o verbo do dia na sintonia da chuva. Tudo era a umidade do tempo nas folhas do quintal.
O oceano era a gota na colheita. A vida tem esses improvisos de sorte.

Habituada ao silêncio…

(Sobre a ternura, todo rio é feixe)
Todo verbo, indefinido na alma.

A memória é esse vento oco sacudindo as cortinas.
A primavera quase se despedindo dentro da estação.

Nas previsões das cartas, o louco foge da liquidez das horas.
Na véspera das águas o rumor é de trigos. A vontade catando minutos entre o sentido contrário. Os corredores com baldes amparando goteiras.

A roupa molhada esquecida no varal e o canto da chuva causando essa falta de lucidez no peito.
O caminho é a espessura da alma perto da boca.

Mariana Gouveia
338. dos verbos indefinidos

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2 comentários em “338. dos verbos indefinidos

  1. Lunna Guedes disse:

    É o segundo texto que leio que fala sobre roupas no varal e a segunda vez que viajo de encontro a infância quando assistia as mulheres da vizinhança com seus baldes e bacias cheios de roupa. Uma viagem… mais um texto para ser escrito depois. rs

    bacio cara mia

    Curtido por 1 pessoa

  2. Mariana Gouveia disse:

    Os varais me levam sempre para uma viagem além do tempo… é onde meu Chiquinho fica, na maioria das vezes…
    Aguardando o escrito!
    Bacio

    Curtir

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