347. dos verbos indefinidos

 

 

Bambina mia,

Te encontrei na madrugada…. no lugar improvisado da mesa da cozinha. O café espresso na xícara onde pousa uma borboleta.
O molho do bife a milanesa para o almoço exalava o cheiro cozinha toda enquanto você chegava mansamente.

Te contei da lua?
Ela estava exuberante calçada afora. Lembrei – me de que na próxima madrugada,  a chuva – que tanto amamos – será de meteoros- Geminídios –  e se eu te contar que justo agora, o céu ficou nublado? Dá vontade de fazer birra igual criança!
Antes de tudo isso, enquanto o jogo de futebol arranca barulhos na sala eu penso que te levei pela mão rua afora, na madrugada minha. A brisa suave me fez te invocar presença. Você não aguentaria o calor, mesmo em pensamento, que fez hoje, por aqui,
Fui mostrando – te a rua de cima,  a casa amarela, onde o sol vibra em qualquer tempo – lembra Adélia e seu poema Impressionista – e a árvore, que está ali, há anos, faz barulho quando passo. Parece dar um bom dia e eu assopro – como todo dia – em direção às folhas e elas vibram na intensidade da hora.
Há sempre um gato preto – que acho que nunca falei dele – à espreita e mia como se eu tivesse algo comestível na bolsa. Todo dia!
No ônibus, você espera a janela, que SEMPRE, SEMPRE está ocupada e eu fico aliviada de conseguir um banco. Respiro o sol que nasce, em alguma janela no rumo do nascente.
Começo a descrever os lugares que penso que gostaria de visitar: o bosque – tão mínimo agora – e as aves que reconheço e nomeio para mostrar que sei o nome, espécie e etc…afinal, você é uma convidada que levo e direciono.
No segundo ônibus, você ganha ares de janela e vento.
Você é só leveza em meu instante.
Se os emotions fossem de verdade e quando a vida fosse o sentido frequente de estrelas, o céu teria seu nome descrito em meteoros de luz… que nem vou ver, porque o céu teimou em nublar por aqui.
Bacio
Mariana Gouveia
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Um comentário em “347. dos verbos indefinidos

  1. Lunna disse:

    Sai cedo de casa, um pouco chateada com a realidade, um pouco fechada e o olhar em busca de símbolos conhecidos-meus. Nuvens no céu, sol a tingir tudo de dourado e eu a pensar o ano seguinte, depois de amanhã… a imaginar como serão os meses, as horas e tudo que irei alinhavar. E agora ao ler-te viajei de novo pelos caminhos e fui percebendo o que ficou e o que levei. rs

    ah, minha cara

    Curtido por 1 pessoa

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