348. dos verbos indefinidos

Escondia nas mãos a sorte. No céu, a chuva de meteoros foi além do esperado na madrugada e somente uma estrela caiu diante dos meus olhos.

Era logo ali, além dos muros a vontade.
A dor veio de improviso quando o corpo esfria.
Tornei impossível o mar e o rio secou. Nem choveu pros lados do sul.
Em alguns momentos fica irrespirável essa falta de ar. As janelas fechadas. O céu sem cor e a ave, insone desdenhando a asa.
Em algum canto, uma mulher reescreve sua história em outro idioma.
As árvores tem a altura do sonho. As raízes – a dilatação das veias – voltadas para além da terra solta.
Hoje venho venho feito roda – gigante – o vento é esse sopro onde morro toda noite, apagando o sol e a floresta me engole.
Eu sou quase a ave, de costas para a vida enquanto o jardim é a encruzilhada para a vida.
Mariana Gouveia
348. dos verbos indefinidos
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