360. dos verbos indefinidos

Ainda havia tempo para dor. A cartografia da pele exposta, nervos, poros.
A tintura feita a mão para contar as horas. As portas noturnas acusando a solidão.
Cortinas sendo puxadas para o espanto da noite. Um corredor intenso onde o silêncio domina a janela. Lá fora, o vento úmido flagra uma ave solitária. As fotografias expostas em preto e branco. A ave, modulada no azul. Molduras descritas dentro da saudade.
Tenho nas mãos as horas que antecedem a noite no improvável som de um pássaro mudo.

A voz na garganta é esse grito onde a solidão, por exemplo, encontra -se com a minha na esquina da rua de cima.

Mariana Gouveia
360. dos verbos indefinidos
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