Entrevista | Mariana Gouveia

Scenarium livros artesanais

Mariana-menina nasceu no interior de si e brotou para o mundo a partir das linhas tecidas desde a infância. Se fez mulher em linhas retas, remendos de tempo e tecitura de urgências. Se reinventou poeta ao espiar a realidade que ela modela em versos que a pena nem sempre escreve. Se deparou com a loucura em algum momento e decidiu que seria seguro-confortável falar desse temido tema em seu primeiro romance, escrito nesse seu último ciclo de vida porque todo fim é também começo quando o fundo de si é abrigo para o escritor que se conjuga em primeira-segunda-terceira pessoa.

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Scenarium — O título de seu livro é ‘corredores, codinome loucura’. Como é a sua relação com a loucura?
Mariana Gouveia  desde pequena a loucura é uma constante em minha vida. Havia uma tia casada com meu tio, que tinha os rompantes de loucura nas reuniões de família…

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“Acorda, joga água nele!”

Pai, acho que você iria se orgulhar de mim.

Talvez, você em sua rotina de menino que sonha e vê a lentidão dos dias em sua cadeira de rodas nem imagina que sua filha escreveu mais um livro.

Eu te contei anos atrás sobre Corredores e vi seu olho atento à minha história e vi sua afirmação dentro dos momentos.

Pai, grande parte do que escrevo vem do que aprendi durante os caminhos. Não é só juntar letrinhas e cavoucar memórias, é desenhar instantes e com eles o apontamento de direção.

Descobri hoje que ontem, o moço que fez com que com que eu me apaixonasse pelo rádio se foi. Você e minha mãe dizia que se eu escrevesse as histórias que declamava para vocês eu iria ser contadora de histórias.

Zé Betio era a voz no velho motor rádio e seu riso diante do bule de café feito fazia com que a madrugada soasse vibrante nas manhãs.

” Acorda, joga água nele, dona Maria!” E ali, discorria sobre o galo a cantar, a vaca a esperar pela ordenha.

Eu poderia escrever sobre isso e aquele homem que lia as cartas que a gente enviava, hoje, a voz se transformou em restrospectivas …

As canções que você queria ouvir ganhava tons dentro da resposta à canção: 🎵🎶 quem é… 🎵

E o locutor a responder: é o Zé Bétio!

Pai, hoje, caminho pelos Corredores… Os mesmos que detalhei como se fizessem parte de nossa história e que você apenas suspirou e enumerou nomes dos quais nem me lembrava.

Afinal, como o locutor dizia a vida está logo ali, para ser vivida.

Você é essa criança levada pelas mãos enquanto realizo sonhos. E levo comigo a certeza de que se orgulharia de mim, não pelas palavras que espalho feito sopro de vento, mas sim pela delicadeza de ainda lembrar 41 anos depois do homem que me fez apaixonar pelo rádio.

Tenho certeza de que você tiraria o chapéu em sinal de reverência a quem fez parte de nossa história…

E é o que faço, pai.

Te amo!

Mariana Gouveia

Sim, eu escrevi um romance

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“Eu poderia até ousar dizer que era Amor, mas e para quem nunca conheceu o amor? Como reconhecer dentro da gente que o amor é esse convite que você não pode recusar?”

 

Embora eu escreva muito sobre o amor não tinha ideia de que escreveria um romance.
Na verdade, minha pretensão foi sempre contar histórias, independente de ser romance, ou outro gênero.

Corredores caiu em meu colo como um presente e foi ganhando ares de cumplicidade dentro dos dias.
Andei pelos lugares e minhas mãos foram tateando cada movimento das pessoas e os sentimentos foram tomando conta de mim.

Corredores é uma história que não pode ser modificada dentro do tempo que passou, mas quando dentro da gente brota o amor o caminho é mais fácil para a próxima etapa.

Mariana Gouveia
Scenarium livros artesanais
Corredores – Codinome: Loucura
Lançamento 25 | 08 | 18 – a partir das 18h
Starbucks Brasil (Eliseu Guilherme)
Rua Desembargador Eliseu Guilherme, 200, 04004-030 São Paulo

 

Pai,

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Pai, a vida é esse pouso na mão. Isso de comemorar um dia seu, tem minha implicância desde sempre. Teu dia é todo dia em que seu ombro foi amparo.

Hoje, as janelas se abrem e dizem que vai ter chuva de meteoros. Sei que você riria e diria que quando as estrelas “chovem” alguma coisa de importância acontece. Você era o homem das importâncias. Desde o desencaroçar o algodão e dele, com sua sabedoria na roca, fazer com que aquele capucho vire linha, tecido até o saco pronto para receber a semente.

Pai, o cotidiano é esse céu que se abre quando nasce e se esconde quando ele se vai. Daí, vem as estrelas e essa imensidão de luzes, tal qual os vaga-lumes no quintal.
Você entende essa nossa paixão pelo inexplicável  e me apresentou a força maior das orações. Segui o rito de tuas bençãos. A leitura de palavras direcionadas dentro da fé.

A vida é leve, pai e quando me pego pensando em você, sou pura gratidão. Embora, tão longe, estamos tão juntos em tudo que você me ensinou. Sou essa vontade de vento, de liberdade e de alcance. Alcanço nos gestos os afagos de tudo. E tudo isso, devo a você, pai.

E quando tua oferta vem com gesto de amor, sou pouso dentro das suas vontades.

 

Grata tanto!
Te amo infinito!

 

Mariana Gouveia

Junho | a minha rotina clandestina…

Quando eu fico vestida de festa na casa da Scenarium Plural!

Scenarium livros artesanais

Por Mariana Gouveia


Sabe amor, …essa carta foi escrita antes do século virar. Os dias de ontem para trás foram confundidos um a um com a dor. Os corredores intensos-grandes fizeram as noites maiores. As paredes trazem recordações e fotografias recortadas onde minhas palavras vasculham a segurança do teu sono no quarto ao lado.

Na mesa da cozinha, rabisco as vontades dentro de um poema. Recordo os outros dias dentro desse mês que dizem ser o mesmo dos namorados e amanhã, justo amanhã, o dia principal. Que coisa estranha, amor! Ter um dia especial para celebrar o que é vivido todo dia. A Antônia da esquina me encomendou um poema para dedicar ao namorado e sei que você não compreende como alguém pode fazer um poema de amor para outra pessoa que nem conhece.

Quem escreve exala sentimentos na pele. Daí escrevo uma coisa, logo sai outra coisa e…

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