Silêncio e sons

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A garganta fechada obriga o silêncio a se manifestar.
 
A palavra presente
 
Põe os dedos pra falar.
Cláudia Costa
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(Re)Nascimento

Leslie Ann o'dell 2*imagem: Leslie Ann O’Dell

.

A moça rebelde que habitava aquele corpo franzino,

pirava. Enlouquecia aos poucos, agredindo outros mundos.

Perdida dentro de si, com mil respostas e nenhuma certeza.

Apelou aos búzios, cartas, divindades astrais

e num rompante de fé, confiança e [um certo] desespero

rendeu-se à religiosidades.

Decidiu sair [ou entrar profundamente?] do seu umbigo

para renascer mais dedicada.

Retirou-se. Foi meditar, entre rituais de luzes e amores.

A moça, se despiu de si e se vestiu de palha.

Renascia ali, desconstruindo hábitos,

abrigando desapegos,

apaixonando-se [vagarosa e profunda] por novos olhares.

Tirava férias de si, para encontrar-se além.

Viveria simplicidades, para abraçar valores.

Entoaria mantras, para virar canção.

Dormiria no chão, para sonhar segurança.

Voaria por abismos e enfrentaria marés

no silêncio absoluto da respiração.

Até que, um dia, abrirá  asas,

Olhará espelhos

e trocará confusão, por comunhão.

Em paz.

[até que o tempo mude.]

Claudia Costa