a minha casa é pequenina.

a minha casa é pequenina.

tão pequenina que cheira a concha e basta um sopro teu para as paredes ficarem húmidas de paraíso.
a casa é o privilégio dos ninhos: o nosso corpo aconchegado sem vazios. sem mundo. sem frios.
e tem cães também pequeninos. e um chão azul. ando descalça e sinto que há lábios nos meus pés a lamberem cada pedacinho de silêncio. cada pequeno fruto do silêncio.
sim, no telhado tem uma canoa. é bom, ao entardecer, ir passear nas águas do sol.
moro aqui e nunca gostei de casas grandes.

Kha Tembe
*imagem: Marta Orlowska

 

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