Terremoto

Mariska Karto 1971 - American Renaissance style photographer - Tutt'Art@ (19)

vem com mimos
me veste com colo
que me desabo

não se engane
quando plácida fecho os olhos
sou só terremoto

 

Jô Diniz
*imagem: Mariska Karto

Anúncios

Na palma da mão

mariska karto.jpg3

No fundo, as relações entre mim e ti
cabem na palma da mão:
onde o teu corpo se esconde e
de onde,
quando sopro por entre os dedos,
foge como fumo
um pequeno pássaro,
ou um simples segredo
que guardávamos para a noite.

Nuno Júdice
*imagem: Mariska Karto

Permaneces

mariska karto in silence

.
Sem esforço te retenho 


permaneces 
quase sem querer. 

Guardo-te em mim 
como o mar 
guarda a água e o sal 
em silêncio profundo.

Neide Archanjo
*imagem: Mariska Karto

 


Ela…

mariska karto.jpg6.jpg8*imagem: Mariska Karto

 

[ é de Órion, segundo ela mesma disse]

Encontrou Marte, logo ali, entre as esquinas do céu.

Logo Marte, que me domina, me doma.
Me quer.

Eu, Vênus, em um triângulo celestial
no encanto puro da poesia.

Viber no espaço sideral.
Embriagando-nos de absinto
servido por um divo engraçado.

[ viver de poesia é isso]
Mas, eu, preferia baunilha.

 

 

Mariana Gouveia

Nem todo dia tem noite pros lados do Sul.

mariska karto.jpg2*imagem: Mariska Karto

O sol dorme no horizonte dos olhos dela
e há prenúncio de tempestade vinda do leste.
O verão brinca no riso que ela adora desfolhar

e as estações balançam nos cabelos que ela lavou.

Há qualquer coisa de trilha musical que me envolve quando pensa nela.

As canções que ela cantou – ou que eu pensei em ouvi-la cantar –
nunca sei quando meus pensamentos são maiores que meus desejos
nem quando é noite no centro oeste da minha imaginação
porque sempre há um sol nascendo no horizonte dos olhos dela
onde as meninas dos olhos dela brinca de viver só para mim.

Mariana Gouveia

Quero sentar-me no teu colo

Quero sentar-me no teu colo.1jpg*imagem: Mariska Karto

e prender-te em meus braços,
beber dos teus lábios a doçura
de um mel que nasce na cor dos

teus olhos e perder-me por lá,
como quem se afunda em desejos
para sempre. Ouvir o teu sangue
gemer e gritar o meu nome – aflito.

Pousas em mim uma ânsia e rendo-me
ao teu corpo, à sede da minha pele – quero
falar-te baixinho e beijar-te segredos.
Não digas nada, a minha alma vestiu-se de ti.

 

Carla Pais