agridoce

agridoce

quando era sábado
ela pensava nas suas
sobras de açúcar
porque seu corpo
era branco de madrugada
sem pelos
liso como o leite
que ela conhecia
doce
quando era sábado
ela nem erguia
a saia mais
nem amaciava as
coxas com óleo de
qualquer flor

agora ela amava
absurdamente
as segundas-feiras

 

Luciane Lopes
*imagem: Mira Nedyalkova

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Embriagada


Seja tu o copo onde eu mergulhe

te mate a sede e seja em ti

minha vontade de líquido.

ah cravo

 *fotografia: Mira Nedyalkova

a minha saudade tem o mar aprisionado…

a minha saudade tem o mar aprisionado

 

na sua teia de datas e lugares.
É uma matéria vibrátil e nostálgica
que não consigo tocar sem receio,
porque queima os dedos,
porque fere os lábios, porque dilacera os olhos.

 

Lunna Guedes, in: Lua de Papel — livro dois
*imagem: Mira Nedyalkova

Estudo sobre Distâncias

Estudo sobre Distâncias

I

Descanso seu nome
em meus lábios

assim, beijo-o.

II

Enlaço meu decote
aos botões da sua ausência

assim, abrigo-me.

III

Deste corpo, pouso
Deste abraço, ninho.

Karinne Santiago
*imagem: Mira Nedyalkova

Naquele rio

Naquele rio


Bebi da água daquele rio, onde a felicidade passava dentro
bebi o céu
bebi o azul
e os sons de todo aquele céu
bebi da chuva naquele rio
bebi as nuvens
e os infinitos
as auroras
Bebi o por do sol
naquele rio
bebi a sede
e a saudade
bebi os estrelas naquele rio
bebi as luas
e os labirintos
as tristezas
Bebi esperanças, bebi arco íris
e a saudade
os infinitos
Todos , todos eu
Bebi
Ali
.
Elke Lubitz
*imagem: Mira Nedyalkova