Embriagada


Seja tu o copo onde eu mergulhe

te mate a sede e seja em ti

minha vontade de líquido.

ah cravo

 *fotografia: Mira Nedyalkova

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a minha saudade tem o mar aprisionado…

a minha saudade tem o mar aprisionado

 

na sua teia de datas e lugares.
É uma matéria vibrátil e nostálgica
que não consigo tocar sem receio,
porque queima os dedos,
porque fere os lábios, porque dilacera os olhos.

 

Lunna Guedes, in: Lua de Papel — livro dois
*imagem: Mira Nedyalkova

Estudo sobre Distâncias

Estudo sobre Distâncias

I

Descanso seu nome
em meus lábios

assim, beijo-o.

II

Enlaço meu decote
aos botões da sua ausência

assim, abrigo-me.

III

Deste corpo, pouso
Deste abraço, ninho.

Karinne Santiago
*imagem: Mira Nedyalkova

Era uma vez…

era uma vez.jpg

.

vais saber da história de um novo oceano
a que te conta o meu corpo
molhado do teu

era uma vez
quando os gestos passeiam pelo chão da tua pele

Cristina Miranda
*imagem: Mira Nedyalkova

Naquele rio

Naquele rio


Bebi da água daquele rio, onde a felicidade passava dentro
bebi o céu
bebi o azul
e os sons de todo aquele céu
bebi da chuva naquele rio
bebi as nuvens
e os infinitos
as auroras
Bebi o por do sol
naquele rio
bebi a sede
e a saudade
bebi os estrelas naquele rio
bebi as luas
e os labirintos
as tristezas
Bebi esperanças, bebi arco íris
e a saudade
os infinitos
Todos , todos eu
Bebi
Ali
.
Elke Lubitz
*imagem: Mira Nedyalkova

Eu te amo.

Eu te amo..jpg

Alguém que seja perto. Na distância entre o nunca e o vazio. Teus olhos viajando em mim e o tempo mudo. A palma da tua mão e os sonhos. Teu colo, o mundo. Tua quentura e tua boca de viagens. Estou passional, sedento, teso. Inteiriço e agitado. Dói esta ausência intrusa. Crave este teu cheiro em mim. Grave tua saudade em minha retina. Abusa. Lambuza. E fica. Espero tua chegada e os teus verbos de sentir. Eu te espero. Eu te amo.

Dan Cezar
*imagem: Mira Nedyalkova