Dedos

natalia deprina 1*imagem: Natalia Drepina

Passei os dedos
pelos teus versos
acariciando
cada vocábulo
repleto de sentidos.

O deslizar suave
em cada detalhe
embeveceu-me
com a subtileza
de uma pena.

Susana Canais

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Ensaio sobre a origem vermelha da rosa

Estava escrito que eu temeria tuas mãos
O florescimento da tua boca
A suntuosidade dos teus lábios
Tuas raízes atravessando-me o peito
O fogo e a ternura da tua carne
Estava escrito que eu morreria
Muitas mortes em teu cortejo de língua

José de Assis Freitas Filho in Há um poema morto na sala, Pág. 81 Editora UEFS
Imagem : Natália Deprina

se me perguntares por que fugi…

 

talvez te diga

que os dias contados para trás tão depressa
fazem doer o coração e

apenas acrescentam
a incomparável morte das
palavras não mais proferidas.

João Ricardo Lopes
@ Natália Deprina

what a sweet lullaby

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Querer,
quero uma canção
sussurrada ao búzio do meu ouvido
um murmúrio apenas
sem penas,
palavras nenhumas.

Querer,
quero o teu cheiro
depois do amor,
o teu hálito morno,
verão do meu passado
perdido no limite do mar
a embalar – me o corpo até o sono.

Raquel Serejo Martins.
In: Aves de Incêndio – pág. 14
*imagem: Natalia Deprina

o poder encantatório das palavras…

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um poeta iluminando o canto
poente da sala

uma chuva miudinha musical
em papel pardo nos teus dedos

um tecto lunar no centro de todos os nossos dias

e cá dentro o desalinho da alma

Ana Christelo
*imagem : Natalia Deprina.

navegaríamos nós…

navegariamos-nos

namoraríamos
com o brasão da terra no coração
adiaríamos a sobrevivência
para o dia antes do dia de ontem
pela noite mansa pela noite abominável
traficaríamos silêncios rendas espumas
mas você não chega com os remos
você que nunca desponta com as cordas
com as velas
com o lápis e com a
incerteza

Carla Diacov
*fotografia: Natália Drepina