6 on 6: a pessoa que sou


 

Talvez, eu seja canção.

Dessas que o vento desliza e busca sinfonias
E chega um dia em que não resta quase nada para cantar ou contar.
talvez eu seja um poema ou uma velha história
quase secular ou criada no instante de agora
o mar, é essa estrela dele mesmo feito porcelana na estante;
o verbo do oceano marítimo em mim
e eu, essa pessoa que sou.
Ou posso ser o mês de outras estações
florescendo ipês no quintal

e na rua de cima sou a menina a espiar pelos muros dentro dos dias

 

 

aqui, há um pulmão que teima em respirar
células em cura e um coração habitado de fé.
de alma, sou só metade, sou parte deles…
essa válvula de escape entre o desejo e a vontade
e essa realidade doida me leva ainda por corredores
onde a estação é apenas uma só
sou segredo e brevidade
a palavra e o eco
o chão e o abismo e o vácuo…
se você perceber, sou fagulha ou sopro
talvez apenas vento que a mãe repetia na reza do espírito santo
Amém!

Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
Scenarium Plural Editora
PARTICIPAM DESTE PROJETO: 
Lunna GuedesObdúlio Nunes Ortega, Maria VitóriaMari de CastroCilene Mansini
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— Que mundos te guardem e te apartem de mim…

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A casa, à noite, era iluminada pelas lamparinas e o céu, de tão estrelado para iluminar os campos e os vaga-lumes inspiravam poesia. Não dava para ler – ou até dava, se conseguisse driblar o olho atento da mãe. O lampião veio anos mais tarde.
Contava as horas para amanhecer e devorar os livros ou escrever.

Criei um desvio para atravessar a ponte e ir além da colina. A escola foi feita no alto do morro. Ali, as crianças das fazendas vizinhas eram beneficiadas pelo invento que meu pai criara – construíra a casinha no alto da colina para que nada atrapalhasse os estudos – e a professora viera da cidade. O olho atento para os filhos do dono da escola. O cheiro dos cadernos criados por minha mãe e o descampado que mostrava lá embaixo o capim dourado a colorir a paisagem.

Todo objeto queria virar gente na minha mão. O livro quase virou na palavra escrita. O caderno todo em branco, esperando que as linhas fossem preenchidas com o verbo na palavra. A lembrança da mãe costurando o papel do saco do pão e ganhando estrutura de caderno.

Um dia, um lápis se perdeu em minha mão. Ganhou encanto no verso e na rima. Era laranja, o lápis… e a cor se encontrou no verbo e na gramática. Um lápis não pode ficar em silêncio. Ele quer gritar e usa a minha vontade de escrever e fazer um livro.

Fiquei adulta e aquela escola, no pé da colina foi me levando vida afora dentro de tantos mundos. Caibo em todos, assim como cabia na cadeira perto da janela e me perdia horas a fio a imaginar o capim dourado se transformando em arte e poesia.

Algumas cenas confundiram minha vida, mas ainda assim, me levaram para um passado onde reviro as coisas do baú.

Virei confusão nos personagens que encontro todos os dias – fora e dentro de mim – e confundi semente com flor. Amei mais nuvens que céu, mais voo do que pouso e mais letras do que palavras.

Era ali – ou ainda é – que a cozinha vira lugar de aconchego. Os objetos mudam de lugar. Ganham morada nova na cômoda do canto. A fotografia da avó com a colher de pau na mão, amarelada na parede que dá para o corredor. A janela no ponto certo onde a vista dá para a horta preparada para o alimento. Há mais janelas que cortinas. Mais riso que choro.
O rádio na cantoneira estilo curioso que a mãe mesmo pintara com as tintas feitas de folhas de árvores. Os bibelôs esquecidos no canto. Um sino de porcelana perto do elefante trazido da China – não se sabe por quem – e um quadro de flores bordado pela mãe. Ela tinha essas coisas de bruxa e índia. De sagrada e intocável. Sabia a cura através dos remédios feitos com ervas e benzia as crianças com dedos que imitavam os cataventos. Curava os males de quem sofria. De longe parecia uma mãe normal… de perto era uma mulher que ensinava a vida através das palavras. E eu sou essa página escrita no dia a dia.

Mariana Gouveia
Projeto Crônicas de Outubro
Editora Scenarium Plural

3 – estou sozinha de olhos abertos para a escuridão

* imagem: Félix Mas

escrevia-te poemas
na ponta dos lábios
todos os começos do dia

a carmim
cor de terra
laranja de vida

dizer-te todos os começos do dia
eu te amo
Ana Christelo

 

Querida A.

 

Agucei o delírio da febre e reconstruí mais uma vez nossa história. Poderia dizer que olhando através das ondas eu só mudaria algumas marés… O resto, te amaria igual – ou diferente – nesses séculos que te vivo.

Do meu quintal eu atravesso esse oceano de possibilidades. Enquanto você é mais aldeia, eu sou marítima nesse meu amor. Visito suas lendas dentro da escuridão. Estou sozinha. De noite… Sou puro cavalgar no teu oceano onde a vida exala beleza.

A primavera chegou… dizem que hoje, seria o fim do mundo – pensei que seria lindo se o mundo acabasse em plena primavera – e se isso acontecer eu ouvi tua voz mais uma vez ecoando dentro do vento.

Mas o mundo que me ronda é esse mar que invade onde é rio e eu líquida, deliro de amor.

Quando te escrevo tento me ater às ruínas dos castelos onde esteve. Te visito pelas estradinhas das vilas nos voos das borboletas – que cada vez mais nos une –  ou nos girassóis dos campos onde respira meu nome dentro da flor – ou nos habitantes do mar que te rodeia.

Converso com suas lendas e cada vez mais o que é do mar nos aproximam no mesmo tempo e espaço.

É como se dentro de mim estivessem juntos os dois mundos dentro dos nossos.
Os abismos e sua fala doce… a moldura da maresia que todos os dias reflete em minha pele teu toque e você.

 

Beijo meu

 

M.
Projeto  Missivas de Primavera
Editora Scenarium Plural

 

1. Existe uma mesa com papéis, livros e uma lareira apagada

 

Não sei sobre pássaros,
não conheço a história do fogo.
Mas creio que minha solidão deveria ter asas.

Alejandra Pizarnik

Querida A.

 

A palavra fogo rodeia meu lugar. Eu mesma ardo em febre e a cidade, conhecida pelo seu calor insuportável, agora fica insuportável. A meteorologia prevê ainda dias quentes e o lugar onde é meu refúgio está sendo devastado pelo fogo.

Talvez você nem leia essa carta. Talvez você a leia e nada fará sentido. Talvez sejam as palavras que estarão aqui que você desejava tanto ler – o talvez é tão cheio de expectativas – o sempre, não.
O sempre gera certeza e garantia e nós humanos queremos sempre o sempre.

” sempre vou estar aqui” “sempre vou te amar…”

Sempre, sempre… Às vezes, ele vira palavra vazia. Mas em mim – ou nós – posso substituir pela palavra século. Essa é durável. Forte. Resistente.

Talvez você quisesse ler a palavra sempre enquanto dentro de mim ardia, além da febre a palavra século. E ela significa que, apesar do tempo agora, eu vou te amar sempre.

E não veio o que você esperava no momento e daí você fechou todas as portas e janelas para mim e eu estava no meio de um corredor entre o desespero de mais um dos diagnósticos aterradores, que transformam pessoas em zumbis.

É difícil gerar expectativa de vida depois que os envelopes se abrem e os vãos ficam pequenos entre as calçadas.

Mas não existe espaço para você na minha vida, porque você se tornou ela desde os séculos dos séculos, amém.

Talvez se eu tivesse dito: espere, fique tranquila. Espere a tempestade passar… Talvez você ainda estaria ali, do outro lado da janela, sendo alívio e calma para os dias de fúrias enquanto o corpo luta contra o monstro real.

Talvez é tão cheio de expectativas. Talvez eu hoje pudesse te mostrar o que o nome de um mês pode muda dentro de um quintal.

Parece que a estação acontece no mês todo e não quando passamos da metade dele. Talvez eu pudesse te mostrar o ninho que as aves fizeram aqui. Mas tudo isso é tão relativo e distante. Parece até que aconteceu em outro século e por isso, escrevo cartas que talvez você nem leia.

Meu imaginário me engana sempre, entre os delírios de febre. É como se eu estivesse aí e tudo isso fosse apenas uma história que te conto, mas quando dou por mim existe uma mesa com papéis, livros e uma lareira apagada… Porque de fogo basta esse que destrói meu cerrado e aquele que queima minha alma.

Fica bem.

M.
Projeto Scenarium Plural – Missivas de Primavera

4 – Conduz-me ao precipício onde hibernou a alma

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“Havia duas maneiras de partir: uma era ir embora, outra era enlouquecer”.
Mia Couto

                                                                                                                                     Querido abismo,

Hoje, mais uma vez estou de frente para você, na tentativa do pulo ou da coragem de enfrentá-lo. Você tão desafiador, mais uma vez me oferece colo, espaço e eu, tão cheia de liberdade arrisco essa carta como se pudesse voltar atrás, recontar histórias, recriar recomeços, mudar rumos – sei que não posso – mas posso modificar caminhos a partir daqui.
Você já conhece os telhados por onde em noites seguidas encarei para vigiar o céu e as estrelas – você estava sempre ali, à frente da escada – enquanto eu, fascinada olhava o espaço infinito.

Também já sabe das montanhas que avistei… longas horas a ver sua imensidão e sua cor disfarçadas nas cores das árvores e o verde a convidar para o abraço.

Já te enfrentei algumas vezes… atravessei vales inteiros, desci colinas e senti seu toque a me abraçar. Devo confessar que você é tentador.

Nas noites de insônia, você surgia absoluto, incógnito e tolerante… Única opção madrugada inteira, vigia constante das minhas dores e fraquezas.

Hoje te encaro, olho no olho… sem vacilo, chego mais perto daquilo que me oferece e estendo a mão… quase um toque em seu vento oscilante e convidativo.

Você não sabe, mas me fortalece, com sua presença intrigante, sempre a me entregar a amplitude pela qual sempre lutei e seu nome muitas vezes, vem disfarçado de liberdade.

Você me enxerga normal, com medo e me faz ter coragem sempre que te enfrento. Me lembra todas as vezes que o medo rouba sonhos e me instiga ao pulo…

Me instiga diante de sua presença – você tão gigante – e me oferece a opção de escolher. Posso ir embora e reconhecer meu ponto fraco diante de sua magnitude… Devo dizer que você é o precipício e que a loucura seria minha companheira, se eu permitisse… Que minha alma se esconde dentro de sua palavra, como se buscasse acalanto.

Mas eu não permito e não aceito seu chamado voraz em cada instante que me aproximo de seu espaço, mesmo porque o espaço é meu e sou eu a dona das minhas vontades. Você é apenas uma das coisas que tenho de enfrentar e encarar nesse mundo de cão.

Eu aceito sua presença infinita em mim e nessa hora, me permito ao voo.

Mariana Gouveia
Projeto Missivas de Abril
Scenarium Plural Editora

3 – Ninguém conhece a fundo a luz do seu abismo

“Nenhum abismo me cabe
nessa hora, eu voo”.
Mariana Gouveia

Querida T.

Enquanto você compõe pássaros dentro de seus silêncios, eu voo…
Descobri asas no seu lugar e ali, envolvo dentro de suas palavras…
Tomo a liberdade de te escrever cumprindo um ritual que faço desde sempre – que me lembro –  de rabiscar palavras em forma de cartas. Já me disseram que sou assim, meio mãe de todo mundo e quando vi o azul dos seus olhos te imaginei celeste – tal qual o céu do meu lugar – mergulhei em seus abismos, me preparei para voos dentro das emoções que você tão lindamente entrega de presente para quem te lê.
Quando abrimos os jornais, sites de notícias ou falamos com alguém, as notícias ruins imperam as conversas e isso aqui é um alívio nesse ritmo de coisas tristes que andam por aí.
Não é que eu seja alienada e não esteja nem aí para as coisas que andam acontecendo, mas é que já há tanto de desânimo que prefiro usar as palavras para falar de amor, de vida, de natureza e de mostrar nas fotografias que o mundo pode sim ser diferente, vivido em seu extremo prazer de viver.
A vida não tem sido generosa comigo e ao mesmo tempo me enche de delicadeza como retribuição. Eu vejo a vida miúda no meu quintal, vejo o gigante acontecer no céu e abraço pessoas até mesmo sem tocar, que tudo que vivi e vivo deixa de ecoar em dores no corpo.
A gente que escreve tem esse conceito de tentar derramar nas histórias o nosso sentimento e isso, você faz magistralmente… embora, isso não nos impede de percorrer a linha tênue entre o espaço e o abismo.
Esse abismo instigante que nos chamam quando estamos a poucos passos do pulo ou o espaço ali, oferecendo um voo saboroso dentro da poesia e do amor.
E como você mesma encara a palavra tua, dona dela e maravilhosamente inspiradora, finalizo essa carta com a simbologia dos seus versos:

“Que eu saiba ser
buquê de pássaros
para perfumar os sonhos
em pleno voo”

Tríccia Araújo

Que os voos sejam teus sempre, menina coração.

Beijo,
Mari

Projeto Missivas de Abril
Scenarium Plural Editora

Projeto 6 on 6 | Scenarium…

Falar sobre os livros da Scenarium Plural para mim é como falar de filho. Você vai ver aqui aquela mãe boba que só admira cada coisa que o filho faz.
A Scenarium entrou em minha vida pelas mãos de Lunna Guedes e foi amor à primeira vista, ao primeiro comentário e depois disso tivemos tanto de primeiro/primeira que até hoje tenho primeiros lances com ela.
Dessa descoberta veio as realizações de sonhos e tudo que aconteceu está aqui registrado em posts, poemas, cartas e fotos.
Mas, hoje, venho te mostrar a minha Six Top List dos livros que a Editora publicou e que te convido a conhecer:

 

Lua de Papel I, II e III
Lunna Guedes

“eu nunca antes tive delírios
– mas dizem que tudo sempre aponta para um possível começo.
Seria esse o meu?…”

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Lua de Papel não é só um livro. São três! Não é só uma trilogia! São histórias que se encontram e encantam.
Eu, amei cada um deles e enveredei pela história de uma maneira que ficava torcendo para que no próximo capítulo fosse além do que a autora descrevia. Lua de papel me fez viajar, sonhar e ficar como se estivesse dentro do livro, quase à beira da janela e bastava fechar os olhos e respirar e eu já era parte do livro…
Me apaixonei por cada personagem e muitas vezes tecia meu diálogo com elas. O livro me surpreendeu em seu final cativante e encantador.

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Dentro de um Bukowski
Aden Leonardo

“para o que existiu e foi deixado sob o lago
– aquela imensidão do esquecimento, do dia a dia. Um “B” lado oposto da realidade,
debaixo das estrelas”.

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Dentro de um Bukowski me levou/leva para dentro dos delírios. Aden me leva em uma viagem onde me deixo levar pelo lirismo latente.
Ouso, camuflo, domino, choro e rio junto.
Com ela eu não conjugo os verbos, eu os engulo e devoro. Talvez eu solte o grito que ela guarda. E literalmente viajo com ela pelas estradinhas – entre ida e volta – de Minas.
Confesso que enquanto “viajo” pego alguns atalhos dentro da paisagem e isso se transforma na melhor parte da viagem.

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A construção da primavera
Adriana Aneli Costa Lagrasta

“Ele está certo, do verão amo a tempestade, que estranhamente se antecipa no outono, este ano.

“Percorria o vidro com a ponta dos dedos, respirava fundo – como quem morre – e misturava o lado de fora ao lado de dentro…”

Compartilhei desta chuva de hoje… a de sempre… a memória: somos 60% água, matéria líquida aconchegada à passagem do tempo”.

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Adriana Aneli primeiro me embriagou com seu Amor Expresso. Sorvido, bebido e adorado. Além da simpatia – e simpatia é quase amor – e da materialidade do livro apreciado em um trabalho lindo do Atelier Flávia Taiano – que te convido a conhecer – os 50 mini contos me levaram à tardes mornas, aspirando o cheiro do café enquanto degustava o livro.
Já A Construção da Primavera me trouxe o ritmo das estações. Dentro de um projeto lindíssimo: O Diário das Quatro Estações – do qual me orgulho imensamente em fazer parte – Adriana te pega pega mão e te leva o ar supremo do outono adocicado pela sua poesia, à doçura da primavera em plena construção, ao inverno mesmo acinzentado e florido e um verão de luxo puro dentro das palavras dela. Com isso, ela constrói não somente a primavera, mas todas as estações derramadas de poesia.

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Scenarium
Plural North and South

Estamos sempre à beira. podemos quebrar a espinha ou virar o mundo. não é questão de escolha, às vezes. mas pode-se reconhecer, pelo menos, que à beira sempre está presente.

estamos sempre à beira. há os que percebem. há os que sentem somente frio na barriga. não há volta, o frio na barriga não perdoa.

estamos sempre à beira. entre nortes e suls, estaremos perdidos (como se quisessemos direção…); entre lestes e oestes, a mesma falta, o mesmo desapego.

estamos sempre à beira, mesmo quando caímos.

à margem, à beira, norte e sul.

Claudinei Vieira
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Com Plural North and Soul e o poema de Claudinei Vieira falo do Projeto Plural e toda diversidade e gama de poetas magníficos que nos presenteiam com participações especiais nas quatro edições durante o ano. A Plural é uma revista de luxo onde a troca e a pluralidade te faz singular dentro da literatura. A arte inserida desde o projeto ao formato nos torna parte da ideia, do contexto e por fim, da poesia dividida entre uma gama de autores que embarca na ideia da Editora.

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Septum
Lunna Guedes

 

gosto das madrugadas frias, com cheiro de chá quente na xícara… vinho na taça – um gole ou dois e os sabores se precipitam – gosto de um som a dizer suas notas e a pilha de livros a espiar-me, como se dissesse: leia- me. Gosto de ver os envelopes vazios… com suas cores a dizerem possíveis destinos.
Meus mapas são outros…eu me movo através de elementos particulares. Vou de uma esquina a outra em busca de uma mesa de canto do mundo, da vida e do corpo. Cheque mate!

Lunna Guedes

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Quando Septum se abriu aos meus olhos eu mergulhei dentro do imaginário de Lunna Guedes. Não fosse pela delícia de vasculhar as palavras que tão bem me tocam seria pela jogada de mestre de Lunna de nos prender ao seu mundo. As histórias nos envolvem a ponto de acharmos que a história é nossa e que o personagem pode ser eu, você ou alguém conhecido… Septum traz a magia do sete. Do mês da primavera, do idioma diferenciado em explorar nosso pensamento na melhor forma de desvendar os mistérios onde os brancos são preenchidos entre o encanto e os gestos.
Septum é esse gesto pronto de entrega.
Lunna nos presenteia e oferece dentro das estações a sensação plena delas. Septum é o próprio presente do Outono e a docilidade da primavera…A sensação de sentir na pele o inverno e se aquecer no verão.
Então, te proponho um desafio: que você não se perca dentro das palavras. Ela sabe como surgem os personagens.
A jogada está dada. O próximo lance é seu.

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Detalhes Intimistas
Tatiana Kielberman

 

Ontem você me encontrou no meio da rua e me trouxe de volta para casa. Eu te pedi apenas um grão de areia, um pedaço de chão… mas você me ofereceu em retorno um território inteiro de lembranças e saudades.
Foi como estar dentro do abraço de antes, ao qual nunca deixei de pertencer: metade-inteira-fraqueza-inquietante…
Você sempre me soube, e ontem não foi diferente… Aquela mesma figura afetuosa adentrou minha alma com seus olhos de raio-X, oferecendo respostas àquilo que eu nem havia perguntado, e silenciando cada uma de minhas insistentes e levianas dúvidas…
Uma doçura mesclada com imponência perfaz as metáforas do seu caminho, e diante dessa singeleza me reverencio, pois foram seus gestos tênues que plantaram em mim a semente da realidade – elemento sempre tão frágil aos meus olhos…
Hoje o dia amanheceu mais claro, e mais bonito também… Confesso: estava com enorme saudade de enxergar a vida assim!
Quando você vem me encontrar outra vez?

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Tatiana um dia me disse: “Palavras não são capazes de traduzir o carinho que sentimos”… e eu digo que são…
que as palavras que Tatiana me leva pela mão como se desenhasse o caminho para eu seguir.
Tatiana escreve com a alma e por isso, em cada texto a alma se mostra e faz com que o coração acelere e aceite a loucura e a lucidez, a fragilidade e a força. Tudo una e várias dentro dela.
A menina e a mulher. A fome e a saciedade.
Com as palavras Tatiana Kielberman nos abraça, acolhe, afaga e nos instiga a descobrir o mistério que ela tão sutilmente sugere.

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 – Scenarium
Conheça mais um pouco de nosso autores aqui:

Adriana Aneli
http://www.adrianaanelicosta.com/

Lunna Guedes
https://catarinavoltouaescrever.wordpress.com/

Aden Leonardo
https://www.facebook.com/aden.leonardo?fref=ts

Claudinei Vieira
http://desconcertos.wordpress.com/

Tatiana Kielberman
https://meusabismosfaceis.wordpress.com/