6 on 6: a pessoa que sou


 

Talvez, eu seja canção.

Dessas que o vento desliza e busca sinfonias
E chega um dia em que não resta quase nada para cantar ou contar.
talvez eu seja um poema ou uma velha história
quase secular ou criada no instante de agora
o mar, é essa estrela dele mesmo feito porcelana na estante;
o verbo do oceano marítimo em mim
e eu, essa pessoa que sou.
Ou posso ser o mês de outras estações
florescendo ipês no quintal

e na rua de cima sou a menina a espiar pelos muros dentro dos dias

 

 

aqui, há um pulmão que teima em respirar
células em cura e um coração habitado de fé.
de alma, sou só metade, sou parte deles…
essa válvula de escape entre o desejo e a vontade
e essa realidade doida me leva ainda por corredores
onde a estação é apenas uma só
sou segredo e brevidade
a palavra e o eco
o chão e o abismo e o vácuo…
se você perceber, sou fagulha ou sopro
talvez apenas vento que a mãe repetia na reza do espírito santo
Amém!

Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6
Scenarium Plural Editora
PARTICIPAM DESTE PROJETO: 
Lunna GuedesObdúlio Nunes Ortega, Maria VitóriaMari de CastroCilene Mansini
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e no meu dia,

Nada.jpg

Existia um Deus antes da criação?

“Nada existia. Todo incriado. Nada é.”

Nada é?

“Não existe antes nem depois. Agora é.”

O que somos então?

“Cabe a você descobrir. Mas quem és tu, quando não há mais você?”

por AdriAnowA

Uma noite,

 

quando o mundo já era muito triste,
veio um pássaro da chuva e entrou no
teu peito,
e aí, como um queixume,
ouviu-se essa voz de dor que já era a tua
voz,
como um metal fino,
uma lâmina no coração dos pássaros.

Agora,
nem o vento move as cortinas desta casa.
O silêncio é como uma pedra imensa,
encostada à garganta.

José António Baptista
*imagem: Aleah Michele

A silenciosa força das flores

MaxSzocLeuven

*imagem: Max Szoc

 

A silenciosa força das flores
Emana de suas cores
Que são a sua voz
Os seus anúncios
O seu mosaico de intenções
E digressões

Vitais em seus prenúncios
Sua beleza

Sua inestimável fineza
Está
Em seu corpo a corpo com o desejo
Sua façanha é
Inspirar o beijo
Do errante visitante que as fecundaSilentes
Apelam
Dando gritos de perfume

Ana Hatherly

 

Junho | a minha rotina clandestina…

Quando eu fico vestida de festa na casa da Scenarium Plural!

Scenarium livros artesanais

Por Mariana Gouveia


Sabe amor, …essa carta foi escrita antes do século virar. Os dias de ontem para trás foram confundidos um a um com a dor. Os corredores intensos-grandes fizeram as noites maiores. As paredes trazem recordações e fotografias recortadas onde minhas palavras vasculham a segurança do teu sono no quarto ao lado.

Na mesa da cozinha, rabisco as vontades dentro de um poema. Recordo os outros dias dentro desse mês que dizem ser o mesmo dos namorados e amanhã, justo amanhã, o dia principal. Que coisa estranha, amor! Ter um dia especial para celebrar o que é vivido todo dia. A Antônia da esquina me encomendou um poema para dedicar ao namorado e sei que você não compreende como alguém pode fazer um poema de amor para outra pessoa que nem conhece.

Quem escreve exala sentimentos na pele. Daí escrevo uma coisa, logo sai outra coisa e…

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