221, das impressões do dia seguinte

 

O homem é um guerreiro… sábio e um homem… Mas índio.
Resistente. Reconhecido igual como seus iguais, mas diferente – como todos deveriam ser – com sua identidade própria.
O guerreiro é livre. E luta a cada dia pelo respeito é o que os move.
Eu conheci um guerreiro. Um líder e sábio. Conheci a verdade no olho e sua história e era alguém que definiu minha fé.
Eu acredito na natureza. Ela é forte, voa, voraz e firme.
Os direitos humanos nunca foram seus direitos. A igualdade nunca foi igual e nem razão para desistir da luta. A liberdade é essa, única, de briga, de falar alto e exigir o respeito.
A determinação é sua. Continue… lute, vença.
É toda arte de ser. É toda vontade de lua.
É toda raça no nome. É índio!
*10º aniversário da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. É tempo de celebrar e honrar o direito dos indígenas e sua grande contribuição cultural para o planeta.

220. das impressões do dia seguinte

 

Você poderia me dizer se amanhã vai ser quente, se a cortina azul ainda dança na sua janela e que a brisa faz lembrar de mim.
Poderia me falar das coisas bobas que você fez. Da areia da praia onde encontrou os búzios coloridos e de como a exatidão da conchas cabem dentro do meu quintal.
Às vezes, as conversas bobas trazem o encanto e o sol debrua buscando a maresia que sopra aqui.
O vento te conta histórias que antigamente você lia. Os séculos perduram em relógios quebrados com as ondas do mar.
Os teus olhos buscam a incompletude onde o mar avança sobre meus passos.
Como desenhar as digitais de sua mão dentro de minhas histórias?
Como atravessar em pensamento um oceano inteiro onde é secura logo além da varanda e meu suspiro avança noite adentro.
De noite, o mar é dourado, enquanto pirilampos invadem meu quintal sem luz.
O teu corpo vazado em meus dedos de artesã.

Mariana Gouveia
220. das impressões do dia seguinte

219. das impressões do dia seguinte


A estação, dentro da palavra
A lua, em infinita vezes, encanto.
A realidade é essa coisa descrita de como foi quando o homem pisou na lua.
O rastro a ecoar poesia: a terra, é azul – o homem do espaço disse – e depois, em um poema, o poeta disse: a folha é verde e a água, transparente –  e ninguém me explicou o que era a mistura de tudo.
Amanhã, ela será poesia, na palavras de quem enxergou razão, dentro da beleza da rua, iluminada pela lua.
Quando a confusão de sentidos e a vontade de ser dentro do outro, eclipsei na palavra tato.
Quase toque, quase obscuro o sentimento do que não se pode explicar.
A solidão é a mais crua das verdades e enquanto isso, a natureza se veste e o mundo, se torna um lugar comum porque o céu se torna algo espetacular.

Mariana Gouveia
219. das impressões do dia seguinte

218. das impressões do dia seguinte

 

O dia amanhece no canto dele. Aviso de encantos no quintal. Floreia entre o varal e o bebedouro. Reconhece a voz, enquanto sou puro delírio nas palavras dela.
A voz, quase me leva a voar.
O céu desenhando rotinas de laranja anunciando o novo dia. O sol a espreitar vontade de lua.
Ela não vê as notícias do dia. Nem sabe sobre as ondas gravitacionais. Quebra as regras mais de uma vez. Rompe rotinas antigas só para falar que o dia é mais lindo dentro da palavra dela.
A vida tão intensa dentro do instante de agora.
E eu, quase perco a lucidez na fome de querer.

Mariana Gouveia
218. das impressões do dia seguinte

217. das impressões do dia seguinte

 

O amor dormiu na minha mão e tinha a leveza da asa e fazia o vento gerar canto.
O amor chegou com nome de ave, de todo dia, em prece, como oração. Como uma sonata na vitrola antiga. Quase vintage dentro de mim.
Ganhou contornos de abraços e  tive sorte de voo.
Esse amor veio traquino e com rodopios no ar. É um menino, com ares de passarinho. Beija a flor.
Diante do espelho ele me vê e busca a alma da flor, que no jardim se abre.
Atua como música em seu canto e para as horas de encanto faz de minha mão, seu ninho.
Ah, esse amor pequenino que se agiganta e vira presença ali, no canto da sala, no galho da árvore seca do quintal.
O amor mora aqui e amanhã surgirá como se tivesse dormido fora e que morria de saudades de mim

Mariana Gouveia
217. das impressões do dia seguinte