Frete

frete*imagem: Oleg Oprisco

.
desde que
me habitei
me habituei
a ser minha
.
agora que
sou tua
.
fiquei
sozinha

Germana Zanettini

Anúncios

copyright

copyright

 

os poemas que fiz pra você
são seus
ou meus?

 

Carla Carbatti
*imagem: Rimel Neffati

Sei o som dos passos…

Sei o som dos passos*imagem: Tumblr

 

com que regressas a casa.

No quarto virado a norte,

a prevenir-nos de todos os invernos,

aguardo que prolongues em mim

a tua sombra intacta.

De frutos doces me enfeito.

Uma luz quase clandestina

inunda minhas margens

e deixa-me um rio no vinco da cintura.

O teu desejo terrivelmente puro!

 

Graça Pires in ” O silêncio: lugar habitado”

Perdi as mãos por tão pouco.

Por uma gota da água dos teus olhos,
pelo rumor na tua boca,
pelo ciciar dos ventos nas muralhas.
perdi as mãos por tão pouco…
Ficou-me a fome na boca,
fome de quem nada deseja
para além da antemanhã.
Acho um a um os meus dedos
delgados, ventos nos cabelos,
as palmas das mãos tão sulcadas,
tão leito onde as águas se demoram.
Com as minhas mãos perdidas
encontro branca
a nudez das tuas.
Com elas brinca
a fragrância da madrugada.

Lília Tavares
*Imagem: Andreas Kiss

A silenciosa força das flores

MaxSzocLeuven

*imagem: Max Szoc

 

A silenciosa força das flores
Emana de suas cores
Que são a sua voz
Os seus anúncios
O seu mosaico de intenções
E digressões

Vitais em seus prenúncios
Sua beleza

Sua inestimável fineza
Está
Em seu corpo a corpo com o desejo
Sua façanha é
Inspirar o beijo
Do errante visitante que as fecundaSilentes
Apelam
Dando gritos de perfume

Ana Hatherly

 

what a sweet lullaby

12196313_513630518796686_3507824820003807910_n.jpg

Querer,
quero uma canção
sussurrada ao búzio do meu ouvido
um murmúrio apenas
sem penas,
palavras nenhumas.

Querer,
quero o teu cheiro
depois do amor,
o teu hálito morno,
verão do meu passado
perdido no limite do mar
a embalar – me o corpo até o sono.

Raquel Serejo Martins.
In: Aves de Incêndio – pág. 14
*imagem: Natalia Deprina

Falta

falta
*imagem: Tumblr

quase morro (e não vejo tudo) tenho uma síncope uma febre delirante culpa dessa fome uma fome maior que a do jejum uma secura desértica que é sede de gente um oco buraco negro que ultrapassa a borda desse corpo o meu tão incompleto e aleijado sobra de vazios e partes faltantes (o corpo do outro) pra tapar o sol das minhas carências todas com uma peneira mais que furada.
Eu não me basto.

Ana Farrah Baunilha