what a sweet lullaby

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Querer,
quero uma canção
sussurrada ao búzio do meu ouvido
um murmúrio apenas
sem penas,
palavras nenhumas.

Querer,
quero o teu cheiro
depois do amor,
o teu hálito morno,
verão do meu passado
perdido no limite do mar
a embalar – me o corpo até o sono.

Raquel Serejo Martins.
In: Aves de Incêndio – pág. 14
*imagem: Natalia Deprina

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Falta

falta
*imagem: Tumblr

quase morro (e não vejo tudo) tenho uma síncope uma febre delirante culpa dessa fome uma fome maior que a do jejum uma secura desértica que é sede de gente um oco buraco negro que ultrapassa a borda desse corpo o meu tão incompleto e aleijado sobra de vazios e partes faltantes (o corpo do outro) pra tapar o sol das minhas carências todas com uma peneira mais que furada.
Eu não me basto.

Ana Farrah Baunilha

Selvagem

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Como um sopro eriçando os pelos
como o assanhar leve dos cabelos
e a saia que teima em subir
e o perfume que cheguei a sentir
Selvagem é o vento que te traz a mim

Selvagem é tudo que me liga a você
o vento que Van Gogh pintou
dos movimentos que ele expressou
dos ipês que ele não desenhou…
e a folha que o vento derrubou
selvagem é o me leva a teu amor…

Mariana Gouveia

337. dos verbos indefinidos

Tem a flor estampada no vestido,
dezembro e seus dias de chuva atrapalha a visão da super Lua.
A rua de cima tem uma canção no repeat.
Escrevo cartas pela metade. Folhas inteiras de frases inacabadas. A sensação de falta de ar no limite. O vento arrisca pela cortina e a solidão é esse emaranhado de ciclos repetitivos.
A rua de cima tem dias de vazios nas árvores – cabia a brancura em qualquer canto – e as nuvens em espiral causando a plenitude do céu.
Era uma vez, assim, a vontade de ser. Tem dia em que as histórias ficam sem o final.

 

Mariana Gouveia
337. dos verbos indefinidos

A flor de carne

A flor de carne*imagem: Tumblr

Perguntas-me,
se é por ti
que me ergo das cinzas
e eu respondo:
não é sobre o teu corpo
que me desfaço
em suor,
pelos poros da tua pele
que escoo
e nas tuas veias
que me dissolvo?

Perguntas-me,
se é em ti que eu habito
e eu respondo:
não é pela tua boca
que respiro,
pelos teus olhos
que me vejo
e pelas tuas mãos
que me toco?

Perguntas-me,
o que tive de perder,
quando escolhi envelhecer
contigo.
E eu respondo:
o ciúme dos que procuram,
a união
dos espíritos e dos corpos.

Não és senão o ponto
e a ponte,
de partida e de chegada.

João Veríssimo