120. dos dias aleatórios de Abril

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Chegou das andanças com cheiro de aventura no olhar.

Sentiu fome nas esquinas… aprendeu o medo do chão – porque amava as alturas – e se perdia no espaço de voar.

Calculou rotas e fronteiras… no espaço, a vida é ilimitada e sem cercas.

As aventuras que viveu lhe permitia acreditar na sorte de um amor tranquilo.

Um ternura íntima no pouso. O colo na terra a oferecer amparo e a aventura no olhar, depois que chegou das andanças.

Era como se palavra liberdade estivesse além do chão e a alma entendesse que a é na terra que as raízes crescem livremente.

Mariana Gouveia
120.dos dias aleatórios de Abril

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119. dos dias aleatórios de Abril

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Se sentiu a moça mais linda do planeta. Vestiu aquela alma que ganhou de presente.
Havia flores em tudo quanto é parte.
E aqueles caminhos do país que sempre quis visitar, estava lá.
Foi levada pela mão e no coração. Conheceu cada cantinho… e ela era parte da paisagem como se sempre tivesse morado ali.
A paixão visitava o jardim em delírio de flor.
Havia cartazes de felicidade em todo tempo e os corações sorriam para fora do corpo.
A canção que falava de lua refletia na palavra amor.

E ela não sabia mais onde derramar tanto encanto.

Mariana Gouveia
119. dos dias aleatórios de Abril

118. dos dias aleatórios de Abril

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Definhava nas horas do dia, em frente a casa abandonada da rua lateral. O abandono era costume nas noites em qua fazia sol.
A grama fazia colo para os contos de fadas, escritos nas horas de insônia.
Os sons dos carros e suas buzinas e a cidade silenciosa diante das coisas.
Os jornais contavam histórias que alguém inventou. A sorte é tirada na sorte de quem acreditava em figas.
Alguém tentava adivinhar qual futuro ficou no meu passado. A mão única não pertence na velocidade das coisas…
Tudo se definia dentro da lógica do tempo. Havia um modo solitário de enxergar presença na vida do cão. Quando ela me escreveu, me desenhou na porta errada e eu virei retrato preto e branco na paisagem.

Mariana Gouveia
118. dos dias aleatórios de Abril

117. dos dias aleatórios de Abril

117. dos dias aleatórios de Abril
A neblina esconde as flores que nascem.

Da esquina, se vê apenas a solidão. Um gato no muro, um pássaro na árvore que ainda não amanheceu…
O vento faz com que o frio pareça mais do que está.
O homem da reciclagem com seu gorro de sempre – faça frio ou calor – com o emblema do time preferido, a empurrar a carroça cheia de garrafas pet e a melodia de todo dia a ecoar nas ruas do meu lugar.
Ele cantava a vontade de voar e de quanto as ruas o enchia de paz…
” eu uso os poemas para saber…”
e a folha que caiu tudo no dia seguinte era galho seco hoje…
A garoa dançava na luz difusa do poste e a lua era apenas um risco no céu.
Enquanto todo mundo desejava a liberdade de ontem e acreditava na injustiça de amanhã, eu apenas caminhava contra o vento e o frio.

Mariana Gouveia
117. dos dias aleatórios de Abril

116. dos dias aleatórios de Abril

116. dos dias aleatórios de Abril. dos dias aleatórios de Abril.jpg

Há dias em que acontecem milagres – aquele mesmo que o homem de ontem buscava e ria do destino brusco de ser leve – e que aparecia escrito no envelope pardo nas mãos.

E que depois disso contava histórias de imensidão de rios onde se perdiam nas ribanceiras onde nas margens os pássaros cantavam rotinas de florestas de histórias de ler… e as cachoeiras cantavam o chuá, chuá e as aves eram parte do cenário que ficou guardado…

Há dias em que alguém chora de dor e conjuga os verbos no passado, só para respirar o ar que falta e as canções gravam na mente o instante simplificado no refrão.
(chuá… chuá…)

Há dias em que sonhos se realizam e as testemunhas registram momentos que a memória desenhará para o resto dos dias e será contados em cada reunião que mais de um se lembrará e confirmará presença e a pergunta ecoará: você se lembra?

As gaiolas se abrirão e o que era preso voou… e as cartas eram escritas no modo antigo, e os envelopes decorados com cores que celebrava a amizade.

Os corações, nesses dias, se encherão de esperança e os corredores ganharão as cores da cura e a ave verá na poça da chuva um rio fácil de atravessar.

Haverá dias assim. Houve.

Hoje.

Mariana Gouveia
116. dos dias aleatórios de Abril

115. dos dias aleatórios de Abril

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Conhecia o ritual das flores…

O ritmo em que elas cresciam no quintal
Era ali, entre o canto do muro e a leveza do vento.
O mapa feito de pulsar e orações…
Ave, flor!
Bendita seja a semente que possui um jardim inteiro…
Brota coração em tudo que flor.
O corpo presente em nuances distintas e havia o homem que acreditava nos milagres.
Ave, dor!
Do outono, líquido o orvalho, a paisagem quase furta cor…
Ave cor!
E há palavras que vira esperança
mas isso era antes de eu amar…
Ave, amor!

Mariana Gouveia
115. dos dias aleatórios de Abril

114. dos dias aleatórios de Abril

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Conheci uma menina que andava descalça e possuía sapatos dourados.

Em uma das mãos o rio desaguava. Levava a correnteza no sentido dos dedos, e fazia o vento desmaiar nas margens onde olho nenhum conseguia alcançar.

Na outra, possuía o dom do deserto – onde oásis era miragem mesmo – e a flor que brotava desenhava espinhos nos cabelos dela.

Cabia dentro do riso do dia e nas noites de insônia colecionava a saudade subversiva de amar.

Cantava canções de mar… Declarava poesia de rio e repentinamente desavisava o redemoinho de vento. Criava casulos para se renovar.

Era mão para pouso, ao mesmo tempo que amava a liberdade de voar…

Sabia da necessidade de sentir, mas mudava a metamorfose de viver.

Mariana Gouveia
114. dos dias aleatórios de Abril