Distância Líquida

Do lado de lá
Tinha você
Do lado de cá
Tinha eu
E entre nós
Um rio que
A gente rezava
Para o sol secar.

Marcelo Oriani
*imagem: Mira Nedyalkova

Erupção

eu,por teu amor

Eu me faria morna nos seus braços

quase brisa,

quase vento

pensamento,você

 

o arrepio provoca erupção

sinto mãos

prazer

 

imaginei a sua boca o tempo todo em mim

e imaginei a minha boca em você

e eu sentindo teu cheiro

a textura, a maciez

e a nudez

desejada

e emoções até então desconhecidas

e tua pele vibrando e voz sussurrando

descobrindo cada canto meu

invadindo cada espaço seu

sendo amada,querida.

 

Um universo de calma

provoca paz

me toca

me faz feliz demais.

 

Mariana Gouveia

Até as mais áereas

Até as mais aéreas.
Todas as minhas raízes
estão contigo.

Que a fome, a sede
se renovem.
E sejamos tão antigos
no amor e novos
junto aos meses.
Sim, o pátio dos meses.

O ar já não pousa
sobre as coisas humanas.
O fusível do ar.

O que está morto
está morto
está morto.
Mas todas as minhas raízes
estão contigo.

As flores que nunca morrem,
são essas que em ti se movem.

Todas as minhas raízes,
as minhas raízes.
Até as mais aéreas.

Carlos Nejar

338. dos verbos indefinidos

Colhe – se o verbo do dia na sintonia da chuva. Tudo era a umidade do tempo nas folhas do quintal.
O oceano era a gota na colheita. A vida tem esses improvisos de sorte.

Habituada ao silêncio…

(Sobre a ternura, todo rio é feixe)
Todo verbo, indefinido na alma.

A memória é esse vento oco sacudindo as cortinas.
A primavera quase se despedindo dentro da estação.

Nas previsões das cartas, o louco foge da liquidez das horas.
Na véspera das águas o rumor é de trigos. A vontade catando minutos entre o sentido contrário. Os corredores com baldes amparando goteiras.

A roupa molhada esquecida no varal e o canto da chuva causando essa falta de lucidez no peito.
O caminho é a espessura da alma perto da boca.

Mariana Gouveia
338. dos verbos indefinidos