223. das impressões do dia seguinte

Contei a história para menina de agora.
O bordado desenhou uma noite de estrelas. O céu tinha uma nuvem laranja. Alguém falou do fogo a invadir o cerrado. A meteorologia não teve previsão de chuvas, a não ser de meteoros. Um avião quase atravessou a lua.

O céu, em infinitas vezes faz seu show de imagens – uma ave, o voo – a nuvem formando desenhos que me lembram a infância…
A mulher de coragem enfrentou a dor. Inventou risos entre a palavra Posso e Consigo. Usou a palavra Força quando bebeu água com os comprimidos. Esperou a noite cair mansamente.
Tem noite que parece criada dentro de um livro de história. Tem noite que o dia não é para qualquer um… só para quem é guerreira.
Mariana Gouveia
223. das impressões do dia seguinte
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113. dos dias aleatórios de Abril

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Revolve a terra com as mãos… Sente a energia vibrante da vida.

Havia acabado a chuva e os pingos ainda caiam das folhas.
No ar o aroma do mato verde… e o escuro da noite a apontar distante.
Na esquina, um homem cobra ausência dos filhos… e canta um hino de espera.
Relâmpagos cortam o céu, onde um rasgo de sol rompe a nuvem escura que anuncia chuva para logo mais…
O quintal ampara minha solidão, acolhe as dores que rompem as horas prolongadas no escuro.
E a vontade de grito rasga o silêncio…

Mariana Gouveia
113. dos dias aleatórios de Abril

 

105. dos dias aleatórios de Abril

105. dos dias aleatórios de Abril

A tarde amena chega dentro da canção de procurar desenho em nuvens. O gato no telhado arrisca entre os pulos dos cães.
Ostentou a palavra solidão na amplitude da tarde.
O pássaro vagueia entre o roubo da fruta ou a água do beija-flor.
Reencontro o poema perdido na gaveta das linhas.
O céu anuncia uma tempestade junto com o vento e seus trovões que me lembra alguém.
Descubro o desencanto na pergunta perdida. O quintal é esse portal aberto para o nada.

Mariana Gouveia
105.dos dias aleatórios de Abril