6 on 6 – Retratos

Desde pequena sempre fui avessa aos retratos.  É fato que, quando criança as fotografias eram coisas raras. Uma vez por ano, lá vinha o fotógrafo tão esperado pelos meus pais e vestíamos como se fosse para uma festa. A fotografia era tirada uma com toda família junta, e outra individual de cada um dos sete filhos.

O tempo foi me levando para os caminhos da arte, rádio e passei eu a fazer fotografia  e em cada uma das funções exercidas o registro era inevitável.


Os reencontros com a família, o carinho da irmã e o quintal da casa do pai. Ainda assim, me ver fotografada era estranho.

 

 

 

 

Nas brincadeiras, o riso em cenas inusitadas era o limite entre a máquina e eu. Registrar os momentos era quase um ritual onde quer que fosse. Em alguns instantes engraçado, antes da peça começar. Na preparação do ato e caracterização.

 

A natureza passou a ser meu foco e minha atenção. E mesmo em casa, passei a ter visitas para os cliques inusitados.

 

Nesses momentos, a intimidade era o grau maior entre a lente e eu e entre mim e a vida que se mostra gigante a cada dia.

 



Para mim, a fotografia é o momento certo de registrar instantes para sempre. Com isso, o retrato fica inspirado no momento. A vida é tão passageira e com um simples clic consigo eternizar o para sempre sempre…

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 – Editora Scenarium Plural

Participam desse Projet0:

Lunna GuedesMaria Vitoria |Obdulio Nunes Ortega

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343. dos verbos indefinidos

é ainda a minha lembrança e meu abandono. os olhos que de tarde, cansados procuram seu rosto nas pessoas que passam apressadas.

é a canção que toca nas ruas antecedendo o natal. é a brevidade da minha espera. mas é dor e cansaço – então deixo que saia de mansinho como quem não partiu –
por isso, fico em silêncio e finjo não sofrer nas tardes mornas e nas madrugadas serenas, porque o ir tem a mesma magnitude do ficar. o  ir é esse avanço no tempo para mudar o que já não pode ser.
as escolhas são como as gotas da chuva e o voo do pássaro – necessários – para que a vida seja adiante, duas casas a mais na rua de cima.
duas perdas doloridas que esvaziam o peito e deixa essa sensação de lotação esgotada.
é ainda o amor das lendas, das histórias não escritas
mas que não coube no final feliz.

Mariana Gouveia
343. dos verbos indefinidos

328. das fragilidades secretas

Riu na sorte do dia. Era o ar líquido que trazia a maresia. Nenhum lugar cabe quando no peito o ar falta.
A casa é pequena e perdida para quem não conhece o espaço. Todo voo é cego quando a vida pousa na sorte.
No silêncio da noite as aves não voam. Os sons da casa era minha voz rasgando os estuques.
Os rumos das viagens em roteiros marítimos. Permaneço onde bate o vento. A simbologia da vida é o toque…

[ então, não vivo ]

às vezes, a solidão é esse latido estranho do cão no portão quando vê a ave que beija a flor no varal de roupas.
às vezes, o destino certo é o pouso…

mas, o que nos prende à terra é o medo de voar.

 

Mariana Gouveia
328. das fragilidades secretas