Espectros

kiyo murakami 2

 

Até os
pássaros de dentro
Voam alto em
Fria atmosfera.
ramificam suas penas
não temem o frio
Eu ainda
me debato
Quando ato meus
medos
Plastifico
sentimentos
Meus pássaros de plástico
não morrem.

Elke Lubitz
*imagem: Kiyo Murakami

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Como dizer que este amor não morre ?

Mil vezes olhei essa porta, por ti desejei
chegar a terra, perder um grito onde ninguém
ouvisse. E quando íamos falando de tudo
só isso proibia calar o amor. Algumas vezes 
não sabes as coisas que mais guardo.

Hélder Moura Pereira
*Imagem: Tumblr

Inquilina

Inquilina
Foi me visitar,
como se fosse casa…
asa,
foi em mim: voar como
se árvore fosse,
moradia
Foi como se eu fosse chuva.
Água.

E como se eu fosse sede
me bebeu…
– e na imensidão do mundo, eu,
peregrina


Foi me visitar,
como se eu fosse jardim
aí, de mim!

Uma inquilina mora em mim.

Mariana Gouveia

És

És
És a asa secreta do meu voo
o pouso que aconchega minha alma

a calma que contorna minha paz.

a solidão que acompanha meu espaço.
És.

Não sei se é ninho
se é vento
miragem nos olhos que te alcança.
És

Corpo que habita a essência
e a esperança livre das manhãs.
Junto de ti, o espaço infinito de voar.

Mariana Gouveia.

O vidro revela sua aparência de ave.

O vidro revela sua aparência de ave.

As histórias se repetem no instante. Era ontem e eu ouvi uma igual.
Um homem me olha através do óculos
O diagnóstico de cura abre o riso da moça. Ela me olha com olho de abraço.
Já não há mais medo no gesto.
O elevador a leva mais leve.
Um pássaro canta na janela. O vidro revela sua aparência de ave.
Vozes ecoam entre os andares. E era dia de silêncio e não havia conexão.
Me distraí com confusões mentais. A chuva tinha cheiro de jardim.
E eu era só espera

Mariana Gouveia

Uma noite,

 

quando o mundo já era muito triste,
veio um pássaro da chuva e entrou no
teu peito,
e aí, como um queixume,
ouviu-se essa voz de dor que já era a tua
voz,
como um metal fino,
uma lâmina no coração dos pássaros.

Agora,
nem o vento move as cortinas desta casa.
O silêncio é como uma pedra imensa,
encostada à garganta.

José António Baptista
*imagem: Aleah Michele