113. dos dias aleatórios de Abril

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Revolve a terra com as mãos… Sente a energia vibrante da vida.

Havia acabado a chuva e os pingos ainda caiam das folhas.
No ar o aroma do mato verde… e o escuro da noite a apontar distante.
Na esquina, um homem cobra ausência dos filhos… e canta um hino de espera.
Relâmpagos cortam o céu, onde um rasgo de sol rompe a nuvem escura que anuncia chuva para logo mais…
O quintal ampara minha solidão, acolhe as dores que rompem as horas prolongadas no escuro.
E a vontade de grito rasga o silêncio…

Mariana Gouveia
113. dos dias aleatórios de Abril

 

112. dos dias aleatórios de Abril

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O encantamento começa com a magia da manhã. Vasculho os instantes no quintal e a memória busca o tempo que acabou. Nada dura para sempre e nem o encantamento permanece o mesmo diante das coisas.

Havia o tempo certo para o pouso da asa e a mania de querer pousar. Toda passagem tem o exato momento para acontecer.

O fio é tênue e imprevisível e rompe quando o sentimento muda de lugar.

Cantei canções de outros tempos, podei as plantas e preservei a morada dos que moram na árvore do canto.

Refiz os espaços do jardim…Refiz os espaços dentro de mim. Hora de recomeçar.

Mariana Gouveia
112. dos dias aleatórios de Abril

111. dos dias aleatórios de Abril

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O fruto serviu ao destino para o qual plantado. Havia rumos de asas no quintal…
O canto a madrugar rotinas dentro das horas e o vento a exalar aromas de saudades.

Ainda ontem e o verbo era germinar e o raminho a brotar o verde ganhando espaço fora do espaço.

As flores em sua sorte de perfumar a vida e ali, logo cedo, o pássaro de todo dia ganha a sorte de matar a fome.

A natureza e seu estado de graça diante de mim enquanto o vento sussurra em resposta ao amor.

Mariana Gouveia
111. dos dias aleatórios de Abril

109. dos dias aleatórios de Abril

Conheci um sábio da floresta. Conhecia o poder da cura pela natureza. Possuia o dom de entender as sementes, as folhas, as flores e soube tocar meu coração.

O olho tinha a fome de um povo por respeito… Os braços, a força de um guerreiro…

A família era o elo que o ligava ao sagrado e o sagrado cobria a pele do espírito da terra.

O sábio sabia o segredo dos animais… E com esse poder dominava o seu mundo

O vento, seu mensageiro de voz e ecoava pelos cantos pedindo sabedoria para entender o sentido da vida.
Que o dia não seja só uma data, mas que o significado seja de respeito e compreensão.
Mariana Gouveia

108. dos dias aleatórios de Abril

108. dos dias aleatórios de Abril

Lembrava da chuva na poça d’água e pouso do pássaro o aconchego do voo.

Havia um tempo dentro da estação e o equilíbrio vivo na fé.

O dia da força da natureza, a leveza do riso do sobrinho e saudade escolhida a dedo.

Os bibelôs intactos na instante e a solidez nos vãos di quintal.

Não existe um dia fora dele mesmo junto da imperfeição…
Mariana Gouveia

108. dos dias aleatórios de Abril

107. dos Dias aleatórios de Abril.

A noite é oco de sol durante o dia.
Não cabe choro na ausência nem na perda. Há dia de chegar e dia de partir.
Algumas decisões foram escritas em forma de decreto. Ninguém ousa contrariar o princípio lógico das histórias. Repete-se o fim sem o “felizes para sempre”.
Alguns ditados populares dominaram a fala.
É tanto estranho no abismo de mim que a vida parece essa multidão pedindo o pulo. Havia o indício da cor na roupa da menina da esquina. Nunca se soube com certeza o que não era amar. Há tanto ar na falta de espaço… contou os minutos para a solidão.

Mariana Gouveia
107. dos dias aleatórios de Abril

106. dos dias aleatórios de Abril

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Tem dia que é um pássaro estranho que aparece no quintal – sem jeito de voar –  e a liberdade é esse sentido esquisito de pouso fora do ninho e o ramo a oferecer amparo…  o vento a abraçar o corpo desatento… e o dia a ser esse monte de pena dentro da alma.

Tem dia que é tão vago que não vale a pena desencantar.

Tem dia que a tarde parece noite no vazio das horas e que o quintal é um deserto apenas com um pássaro estranho no quintal.

A árvore cheia de frutas verdes que amadureceu a força e a travessa da cozinha vazia, espreitando o retrato na parede e a ave sendo esse objeto fora das coisas que eram para ser ditas e há apenas o canto do pássaro que vagueia por ali.

Tem dia que a madrugada é turva e os olhos não entendem os sinais de palavras sem liberdade não podem voar.

Mariana Gouveia
106. dos dias aleatórios de Abril