Gástrico

Alex Mire*imagem: Alex Mire

Me deu uma poesia no estômago
Borboletas não
Uma pedra
Uma não Trinta e oito

Um trinta e oito
Enferrujado
Ainda atira
E se chama medo.

Adriane Garcia

Anúncios

Artesania

11062656_835930476462821_4461284841731761762_n*imagem: Tumblr

montada no lume
das horas vadias
ela segue
:
o percurso
o compasso
a lida
.
.
.
percussão
persuasão
repercussão
.
banida
de toda vergonha
lambe versos
tece descomposturas
costura palavras
e disseca poemas

 

Bianca Velloso

what a sweet lullaby

12196313_513630518796686_3507824820003807910_n.jpg

Querer,
quero uma canção
sussurrada ao búzio do meu ouvido
um murmúrio apenas
sem penas,
palavras nenhumas.

Querer,
quero o teu cheiro
depois do amor,
o teu hálito morno,
verão do meu passado
perdido no limite do mar
a embalar – me o corpo até o sono.

Raquel Serejo Martins.
In: Aves de Incêndio – pág. 14
*imagem: Natalia Deprina

Ela é sóbria.

Ela é sóbria.
*imagem: Tumblr

Não tem moedas para pagar o preço de ser livre.
Cruza pontes estreitíssimas e ri.
Adoro a estrela que se insinua em seu riso.
Corteja os azuis em um tempo manso.
Tem vontade de voltar para casa, se bem que a casa dela é em qualquer lugar.
Brinca com as correntes que não fez. Eu rio.
Ora para que o plano A dê certo, e no C cruza os dedos.
A vida sorri para ela. Às vezes, ironicamente. Mas ri quando no pote de feijão encontra sorvete…e amor.
Plena e indizivelmente batiza seus silêncios.
Tem álibi, atreve-se. Ama.
Sempre se deixa enternecer pelo que a alcança. Talvez, por isso, as pedras não sejam pedras, mas flores.
E tudo que desejo é que O amor há de encontrá-la desatenta e assim, entre as palavras e o sorriso ela seja feliz.

Mariana Gouveia.

o poder encantatório das palavras…

silent_cradle_by_nataliadrepina-dbs46s3
um poeta iluminando o canto
poente da sala

uma chuva miudinha musical
em papel pardo nos teus dedos

um tecto lunar no centro de todos os nossos dias

e cá dentro o desalinho da alma

Ana Christelo
*imagem : Natalia Deprina.

Ancora-me o desejo

stephen carroll

Quero que sua boca desminta
a limosidade depositada por lagos rasos

Que tua língua com herança dos navegantes
lance-me tempestades e tormentas

Até que reste sobre meu corpo a salinidade de tuas águas.


Karinne Santiago

*fotografia: Stephen Carroll