329. das fragilidades secretas

Anoto em uma carta as frases que diria…
As sombras na parede espanta a solidão enquanto o sol aquece os corredores vazios.
O jardim envernizado com flores de plastico esconde a parede oca para o futuro do nada.
Descobri casas abandonadas na minha rua. Cada uma grita um nome quando a noite cai.
Hoje é dia de vermelhecer em algum canto do mundo. Os intervalos entre o vento e o muro é o calor.
Alguém canta na redondeza. Contam histórias de horóscopos e tarôs. vejo as constelações todas num céu sem nuvem… o rumor da pele desenhando tatuagens. Misturo os assuntos e rasgo a carta.
As frases ficam soltas em uma estrada diferente da outra. o mar afasta a possibilidade de escolha. Em algum lugar, a estrela fica fora do céu.O vermelho ao meu redor é apenas a vontade de estar onde não estou.

Mariana Gouveia
329. das fragilidades secretas
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