121. dos dias diferentes dos outros dias

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Vibrou com a intenção das sementes. Nasciam flores mortas nos vasos pendentes na varanda.
Virou o calendário para o mês do amor, refez o mapa astral mais uma vez.
Depois da chuva o sol veio dourando tudo que é flor.
Aspirou poesia nos livros que leu. Bebeu o ópio das viagens secretas. Lavou a tarde dentro da água que colheu na chuva.
Rabiscou as palavras de cartas escritas na mente e o papel aceitou a certeza do verso.
Tocou a pétala da flor dentro da pergunta. Ainda cabia o toque nas horas tardias em que o amor sorriu de novo.
Registrou para sempre a essência do dia nas fotografias penduradas no varal.
A lua se fingia de sol em meia fase dentro do giro e no começo da noite migrou-se para dentro de sua própria solidão.

Mariana Gouveia
121. dos dias diferentes dos outros dias

107. dos Dias aleatórios de Abril.

A noite é oco de sol durante o dia.
Não cabe choro na ausência nem na perda. Há dia de chegar e dia de partir.
Algumas decisões foram escritas em forma de decreto. Ninguém ousa contrariar o princípio lógico das histórias. Repete-se o fim sem o “felizes para sempre”.
Alguns ditados populares dominaram a fala.
É tanto estranho no abismo de mim que a vida parece essa multidão pedindo o pulo. Havia o indício da cor na roupa da menina da esquina. Nunca se soube com certeza o que não era amar. Há tanto ar na falta de espaço… contou os minutos para a solidão.

Mariana Gouveia
107. dos dias aleatórios de Abril

Previsão do tempo

previsão do tempo

Há tanta nostalgia nesse vento
que bate na janela
trazendo o sol e poucas nuvens.

Se há umidade no ar
é por que choro

choro falta,choro falas,
saudades e ausência.

A moça do tempo pediu pra levar guarda-chuvas
por onde for.
Protege do sol e da chuva.
Só não protege da falta que sinto de ti.

Pelas frestas entra-me sonhos
daqueles dourados que já vivi.
Daqueles que mesmo costurei pelos dias
em que amanhecia você.

Mariana Gouveia
*Imagem: Pinterest

38. das palavras das cartas

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Revirei o baú das lembranças doces. As cartas descrevendo as coisas do dia – a – dia. Os rumores dos insetos no jardim, o vento a balançar as folhas e a rotina a escancarar verdades.

O ritual da noite capta o silêncio e as horas se fazem de ciclos e o dia amanhece dourado de sol.

As luzes refletem nas letras que guardo no baú – mais uma vez não consigo eliminar os vestígios de sua presença na minha vida – junto da letra da canção que mais gostava.

A voz ainda a ecoar o nome e o tempo – quase nada – a passar diante da vida.

Mariana Gouveia
38. das palavras das cartas

24. dos Rituais do sol

A vida emprestava coragem. O coração não cabia no calor do dia.

A brisa convidava à dança e o sol reinava absoluto na flor.

Tudo que era minúsculo se agigantava… a pétala bordava o sol na fragrância do dia e o mundo girava em torno do amor.

Mariana Gouveia

24. dos Rituais do sol