107. dos Dias aleatórios de Abril.

A noite é oco de sol durante o dia.
Não cabe choro na ausência nem na perda. Há dia de chegar e dia de partir.
Algumas decisões foram escritas em forma de decreto. Ninguém ousa contrariar o princípio lógico das histórias. Repete-se o fim sem o “felizes para sempre”.
Alguns ditados populares dominaram a fala.
É tanto estranho no abismo de mim que a vida parece essa multidão pedindo o pulo. Havia o indício da cor na roupa da menina da esquina. Nunca se soube com certeza o que não era amar. Há tanto ar na falta de espaço… contou os minutos para a solidão.

Mariana Gouveia
107. dos dias aleatórios de Abril

Anúncios

Previsão do tempo

previsão do tempo

Há tanta nostalgia nesse vento
que bate na janela
trazendo o sol e poucas nuvens.

Se há umidade no ar
é por que choro

choro falta,choro falas,
saudades e ausência.

A moça do tempo pediu pra levar guarda-chuvas
por onde for.
Protege do sol e da chuva.
Só não protege da falta que sinto de ti.

Pelas frestas entra-me sonhos
daqueles dourados que já vivi.
Daqueles que mesmo costurei pelos dias
em que amanhecia você.

Mariana Gouveia
*Imagem: Pinterest

38. das palavras das cartas

38-das-palavras-das-cartas-001

Revirei o baú das lembranças doces. As cartas descrevendo as coisas do dia – a – dia. Os rumores dos insetos no jardim, o vento a balançar as folhas e a rotina a escancarar verdades.

O ritual da noite capta o silêncio e as horas se fazem de ciclos e o dia amanhece dourado de sol.

As luzes refletem nas letras que guardo no baú – mais uma vez não consigo eliminar os vestígios de sua presença na minha vida – junto da letra da canção que mais gostava.

A voz ainda a ecoar o nome e o tempo – quase nada – a passar diante da vida.

Mariana Gouveia
38. das palavras das cartas

24. dos Rituais do sol

A vida emprestava coragem. O coração não cabia no calor do dia.

A brisa convidava à dança e o sol reinava absoluto na flor.

Tudo que era minúsculo se agigantava… a pétala bordava o sol na fragrância do dia e o mundo girava em torno do amor.

Mariana Gouveia

24. dos Rituais do sol

Suspensão

Suspensão.JPG

Passos suspensos
pelo vento
o fluído dos dias
desaparece

vida, minha
personagens imaginários
povoados de infância

vida minha
essa dança eólica
a ausência do pouso
_ amores raros

marcas no chão
transpareço
e me recolho
ao verdadeiro sentido

de Tudo :
“Girassóis me saúdam
Bem no meio

Do Jardim.

Elke Lubitz

Carta a Janeiro aos cuidados de Zi

Carta a Janeiro aos cuidados de Zi
Sabe, Zi…
Já é de novo um ano novo e como transformei essa carta em um ritual venho trazer notícias para o ano. É melhor não mudar o que deu certo, não acha?
A minha manhã amanheceu chuvosa e as aves todas parece que veio buscar abrigo no pé de hibiscus – que, por sinal, está mais florido do que nunca – e ganharam os voos rasantes de Chiquinho como se o quintal fosse só dele.
Por falar em florido, todo meu quintal está. O hibisco normal está escarlate. Do vermelho mais vermelho. Até os trevos estão parindo flores rosinhas que dá gosto de ver.
Ah, Zi, 2015 foi um ano difícil. Posso enumerar os dias bons. Devem caber nos dedos das mãos.
Foram perdas imensas, acidentes e tragédias que respirei aliviada ontem quando ele anunciava seu fim. Mas, o último dia foi lindo! De suspirar. De engrandecer a alma – só por causa dela – que eu até queria suspender um pouco mais as horas para que durassem um tanto mais as últimas horas do ano.
Mas ele foi. E surgiu esse ano novinho para que tudo seja diferente.
A vida é esse eterno trabalhar e eu busco no plantão as primeiras notícias do ano. Quem nasceu, quem morreu, quem ganhou a mega da virada.
O primeiro bebê a nascer é uma menina e se chama Ana. Não é um bom presságio isso, Zi?
Entre uma notícia e outra, a receita para o almoço, e o pedido de horóscopo para o mês.
Vai ser um ano de desafios, Zi e de emoções.
2016 será regido pelo sol, Zi, esse astro rei que parece que mora aqui no meu lugar. Por falar em sol, até meu girassol floriu e a primavera já acabou. As joaninhas, tão minhas, aproveitam bem a folha e se misturam entre as cores dele.
Então, é isso, Zi. Ritual cumprido, é hora das rotinas todas das notícias irem para os devidos lugares. Peço licença para a astrologia e reafirmo que vou continuar sendo das borboletas – que por sinal nasceram mais duas hoje e ainda há mais casulos a esperar a hora da metamorfose – das joaninhas, do Chiquinho.
Das aves, do sol e da lua.
E aqui, representada por você, abraço a vida, Zi.
Que os sonhos se realizem e que tudo seja mesmo regido pela energia do sol.
O ano vai “avoar”, Zi…as horas correm ligeiras e já está indo o primeiro dia de Janeiro.
Que esse início seja leve e de paz.

Beijo,

Mariana