Então, compreendi sua ausência

 

[…]
Ela é como chuva de verão, logo mais está indo embora. E eu nunca compreendi como ela podia ser assim, desapegada.
Com ritmo de mulher louca e desenfreada, nunca ficava. Até que a ouvi dizer:
” Meu amor, você tem um ninho pra onde voltar, pode ir, mas eu sou só eu, e minha casa já virou Hotel.”

– Rejane Leopoldino
*imagem: Mirjam Appelhof

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Guardo a garganta cheia de sol…

Ira bordo (2)

escoando luz, libertando ais e suspiros longos…

Lidia Martinez

*Imagem: Ira Bordo

Precisava entender-me.

Lilya Corneli22g

Acertar-me comigo mesma antes de deitar-me em seus lábios os meus. Precisava ouví-la por mais algumas horas para saber como as palavras se organizam em sua superficie. Precisava organizar-me para esparramar-me junto a ela sem que ela mesma precisasse fazê-lo”

.

– trecho do livro lua de papel

Lunna Guedes
*imagem: Lilya Corneli

Hoje, a saudade de ti:

Hoje, a saudade de ti

punhalada
de tinta muito branca,
o cheiro do que é novo, o cheiro da
doença a alastrar
Se estivesses aqui, dirias o meu nome
corrigias-me as coisas, e tudo estava
bem, mesmo que dentro de sentido
opaco
A tinta muito branca, o cheiro
que é do novo, aqui deste café,
corrigem-me a memória:
o cozinhares tão mal, a desarrumação
em tantos cantos, os nomes que criavas
para chamares as coisas
outra coisa
E os pedidos depois,
súplicas do silencio e do não choro,
tenacidades de viver igual,
e não ceder tanto – e não ceder
Hoje, em tão grande saudade,
minha amiga,
nem sei o que me resta:
Sonhar com o telefone a tocar,
e a voz,
ou eu a corrigir-me o hábito
do número –

Ana Luísa Amaral
*imagem: Tumblr

Puzzle

renso castaneda*imagem: Renso Castaneda

.

Completas-me,
as tuas mãos encaixam-se perfeitamente sobre mim,
a última peça que termina o puzzle.
Os Deuses estão em cólera por este idílio,
enviam-nos odisseias em vão,
dois como nós reencontram-se sempre
na madrugada dos pensamentos.

 

Estelle Vargas

A silenciosa força das flores

MaxSzocLeuven

*imagem: Max Szoc

 

A silenciosa força das flores
Emana de suas cores
Que são a sua voz
Os seus anúncios
O seu mosaico de intenções
E digressões

Vitais em seus prenúncios
Sua beleza

Sua inestimável fineza
Está
Em seu corpo a corpo com o desejo
Sua façanha é
Inspirar o beijo
Do errante visitante que as fecundaSilentes
Apelam
Dando gritos de perfume

Ana Hatherly

 

Três fósforos…

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um a um acesos na noite

O primeiro para ver o teu rosto inteiro

O segundo para ver os teus olhos

O terceiro para ver a tua boca

E toda a escuridão para recordar tudo isso
Apertando-te nos braços

Jacques Prévert
*imagem: Teresa Queirós