31. dos rituais

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O guarda chuvas não continha o equilíbrio do vento, quebrou na esquina de cima, antes mesmo que a chuva passasse.
A água escorria do céu feito afagos.

A solidão é mesmo feita de horas vazias.

Uma mulher me contou uma história do pai – vi a emoção dentro dos olhos dela –
O pai, sempre deixava para ela e os irmãos, um pouco da comida da marmita. Dava uma colher para cada, só porque eles gostavam.

O olho do pai brilhava vendo a comida ser compartilhada entre os filhos.
Dentro dos olhos dela o céu brilhava de azul e chovia.

A voz embargou na lembrança.

Tão perto, ali, a revelar memórias. Tão longe, ali, a viver dentro delas.
Não foi preciso abraçá-la… o gesto continha o abraço.
Mariana Gouveia
31. dos Rituais

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30. dos rituais

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A sorte morreu na esquina, duas quadras abaixo da morada final.
Alguém recebeu um buquê de flores. Ria ilusão nas escolhas feitas.
Espalhou fragrância por onde passou.
Dizia que ritual não precisa de ritos.
Buscou fiador para vender verdades. Deixou guardada nos classificados a sorte vivida. Todo colo é sabor de espera.

Mariana Gouveia
30. dos Rituais

29. dos rituais

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Procura o equilíbrio tênue dentro do dia.
Encontra o desafio entre amar e gostar.
O sentimento é coisa estranha dentro da gente.
As coisas miúdas acontecem por acaso diante dos Rituais.
Escreve, define, se questiona sobre qual o caminho para a serenidade do tempo…
Descobre que a lógica da vida é viver.

Mariana Gouveia
29. dos Rituais

28. dos rituais das águas

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Havia chuva no olhar distante.
Caía o dia em forma de gotas. As asas guardam pérolas de diamante.
As notícias salvam crianças que nasceram. Via um voo dentro das umidades todas.
Cabia canções no universo da água que sabia ser.
A cor exala nas folhas.
É a vida cobrando passagem diante da dor. A magia se faz de instantes.

Mariana Gouveia
28. dos Rituais das águas

27. dos Rituais do amor

Ouvia a história de amor do homem do carro vermelho e chorou com ele suas dores de amor.

A tristeza sombreou o dia debaixo do pé de ipé, que floriu sem ser época nem nada.

Flor temporã – disse ele declamando poesia e falando que iria cruzar o mundo em nome desse amor.

A natureza calou o riso dele quando ela se foi. Pediu para decifrar a sorte do dia dentro do horóscopo dele. A linha da mão falava em continuidade. Era assim que acontecia dentro dos romances do dia.

Cabia vulto nas janelas e suas cortinas dançantes. Era tanta coisa contida no homem que já não ria mais.

Fiz poesia com o sentimento dele e ele abriu a esperança dentro da flor que caía.

O amanhã é um dia que ainda virá, assim como ele dentro da estrada nua de paisagem.

Mariana Gouveia

27. dos rituais do amor

25. dos Rituais do ar

Escrevia a sorte do dia. Desenhou o nome dela na asa que voou. Salvou inúmeras vezes o mesmo arquivo. Repetiu o mantra da cura. Abusou do corretor ortográfico. Aspirou o mesmo ar que lembrava ser dela. Difícil priorizar instantes. Ouviu relato do homem que sofre alucinações e ofereceu a ele a esperança dos dias.
Fazia cálculos dentro dos corações desenhados.
Rebatizou o inseto de todo dia. Era muita sorte para o elemento ar.
Buscou a pressão mais baixa na oração da folha enquanto os pássaros fugiam dela além mar.

Mariana Gouveia

25. dos Rituais do ar