314. das fragilidades secretas

Por iluminância, a dor

nos dias em que se arrastam as correntes das horas.
O eco das sementes germinando em pólen e a cor
nos muros em dias de sol e noites sem lua
as outras coisas inventadas em um jardim de delírios no quintal sem árvores.

Mariana Gouveia
314. das fragilidades secretas
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154. da geografia das coisas

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Acontecia o dia no tempo das coisas e havia o tempo do jardim mudar a cor.

Os lírios criaram delírios no quintal. A manhã criou atmosfera de espera, enquanto o céu chovia uma garoa fina.

O vento derrubava as folhas secas lembrando a estação. A fuga das dores reflete no equilíbrio das palavras. Alguém diz sobre a sorte de um amor tranquilo e a canção decifra a solidão que invade o dia.

A palavra espera ganhou conforto no abraço. A solidão é esse estado desajeitado de ser dois.

 

Mariana Gouveia
154. da geografia das coisas

Transcendental

Transcendental.jpg

Dentro dela, o infinito
a pétala suave
o toque íntimo

Dentro dela
o universo inteiro
em pólen e flor

Dentro dela
delírio
Transcendental
coração que bate

pele que sente
(arrepio)
Dentro dela
desejos

Eu.

Mariana Gouveia

Do intenso delírio de te amar

Do intenso delírio de te amar

Eu não te amo nem mais nem menos
do que o muito variado intento
te amo aqui, além do pensamento
e muito mais do que o coração
cabe em cada vácuo dele, em cada solidão

te amo mais do que eu deveria
de te pensar em delírios todo dia
e te querer a todo custo agora
passear por onde você mora
te amo, assim, a mais do que cabia
na alegria de te amar eu deveria
te amar assim, na solidão das horas

Do eu quero, penso e te possuo
nos pensamentos ardentes, fugazes
de cores desvairadas, escritas em cartazes
eu te amo, assim, beirando a loucura
e ao mesmo tempo em cada ternura
eu te amo e vou te amar cada vez mais.

Mariana Gouveia

Pedido

Pedido

Ama-me sempre, como à flor do lírio

Bravo e sozinho, a quem a gente quer

Mesmo já seco na recordação.

Ama-me sempre, cheia da certeza

De que, lírio que sou da natureza,

Na minha altura eu brotarei do chão.

Miguel Torga

Paz

Paz

Nos instantes delicados o dia abre o braço para vida.
Algazarras amanhecidas em pássaros no quintal.
No telhado as gotas cantam músicas…
Suspiro reverenciando o que desejei.
Seria essa a sensação de paz?

Mariana Gouveia

Olhos-céu-zul-amanhecendo

Olhos-céu-zul-amanhecendo(Olhos-céu-zul-amanhecendo como esse que me recebe em casa
Selvagens pensamentos, mas sutil me abraça
Um carinho em sua Alma vai abrir-lhe as asas)
Pele coberta de nuvens (flor fechada no canto resiste)
As volúpicas cores das pétalas já não insinuem
com medo de atrair sentimentos desbotados
Pediu que eu a lesse – reencontros de assuntos por acontecer
(parecidos afinal)
Nesses dias claros
(andando na íris)
Só não falei sobre preferir você pelo o que não possuo
(amante nesse consultório-psiquê)
Espalhando sua Luz… lápis-lazúli… seu corpo líquido… Len’sol’
Em pleno êxtase de sua beatitude bêbada
((amor veraneio) Pólen-rosa de efeito curto))
Voejam sopros do ar… e se foi… com prazer de se abrir
(o acaso planejou esse futuro)
Agora novamente a pé de planeta em planeta…
Hoje nesse jardim outro… (você me pôs)… irresistível…
… onde minha saudade quebrada é da cor celeste
(e nem borrou seu rímel)
E na voz dela: “diz que fui por aí”

Rafael Borges