®existir | Mariana Gouveia

#ninguémsoltaamãodeninguém

Scenarium livros artesanais

Mariana Gouveia, autora

Querida Maria,

Como vai? A leveza de tua liberdade te leva livre, com o riso no rosto pelos caminhos que percorre? Espero que sim… eu quero saber de você e também preciso entender como ignora a tarja exposta sobre meu país…
Se bem que hoje… eu prefiro não perguntar sobre o tempo… que é esse menino fujão a nos roubar a razão. O tempo é esse voo rasante na soleira dos dias, onde o horóscopo assombra o decanato dentro do ascendente que atravessou o dia em que meu país errou feio, perante o mundo — e eu, que simpatizava com astrologia — , me desencantei.
Eu vi no cartum do jornal do dia, bem no meio da página, a sua pergunta — “você votou em quem?” — e colhi o seu espanto diante de minha resposta, que foi cercada de outras perguntas.
Logo você, que possuía todas as probabilidades de…

Ver o post original 596 mais palavras

Anúncios

Projeto 6 Missivas — uma carta para o seu personagem favorito

Tenho para mim que não habitamos o mesmo mundo.
Lua de Papel


*Ale,

Talvez eu devia dizer que a frase me pegou pela mão e me vi dialogando com você:
Realmente, não habitamos o mesmo mundo, mas posso tocar -te para além das páginas tecidas artesanalmente, costuradas página por página e volto lá, na cidadezinha tua. Consigo até caminhar por ela e fazer o sinal da cruz em frente a igreja e lembro – me da menina que eu era.

Não sei se enveredamos pelos mesmos caminhos  e descubro que em alguns sonhos e desejos somos tão iguais.  Ou como imagino, talvez eu te pinta mais leve nos dias. 

O que sei é que te adotei desde a primeira linha e segui de mãos dadas contigo até o Livro III.
Ah, adorável Lua de Papel que te desenhou insegura e reticente e somente por isso pude te moldar aos meus olhos uma Ale minha. 

Sabe, em muitas leituras feitas às avessas buscando só frases tuas, me perdi em suas anotações:

” aquela mulher não tem diálogo. Vive de suas linhas e pedaços de panos que ela emenda para os outros. É uma estranha”

Você é aquela de mim que quero mudar. E ao mesmo tempo possui os defeitos que abomino em quem gosto. 

Você é quase real, Ale… De tanto que a decifrei e de tanto que a desencorajei quando se trancava nos desejos que nunca conseguia expor. É a menina que guardo dentro da memória e a mulher que não consegue a fuga com a qual luta constantemente.

Quem te desenhou nas rotas do avesso trouxe para mim o cheiro dos eucaliptos, os arrepios na pele e a vontade de viver-existir dentro das fotografias…
E como a própria autora disse sobre você:

‘As histórias desenham personagens… alguns, escapam da realidade e saltam direto para as páginas. Outros se deixam inventar…’

Eu me deixei inventar sobre tua história.

Beijo,

Mariana Gouveia
Projeto Uma Carta por mês 
Editora Scenarium Plural Editora
*Personagem do Livro Lua de Papel: Alessandra – 
autora: Lunna Guedes

Sete Luas – minhas impressões

Algumas fases permanecem para sempre…


Sete Luas foi aquele apaixonar diário desde o convite vindo por email e a palavra Cais rondou meus dias por um bom tempo.
Quando bati os olhos na capa – ainda sendo dúvidas da editora -Lunna – horas antes do lançamento – rendi -me! 
O amarelo foi como se o dourado da lua cheia invadisse as janelas do edifício e ali todas as fases e sensações dos escritos me invadisse. Foi quase um uivo de lua.

Aconteceu uma pausa entre o encanto e a posse. O carteiro de todo dia não cabia em risos e repetiu a frase quase que costumeira quando o pacote ganhava meu abraço: – acho que a sua lua chegou!

Sufoquei – me com as luas incompletas de Aden Leonardo. Antes começasse a amar o abandono era quase um convite para soprar a lua e delirar dentro do que não foi vivido. Aden é esse uivar em um mistério.

O contrário, de cabeça para baixo, era possível repetir a palavra encanto nas luas de Adriana Aneli. A lágrima, a lâmina… sendo corte e líquido nas fases soltas de Lua. À mercê do impossível caberia em uma história cantada pela menina que adora ópera.

Adriana Elisa é esse frescor  Nas antigas tardes em que não queria inventar coisa alguma e é cópia da mãe – Adriana Aneli – e única em sua doçura agridoce nas memórias de Lua e do amor.

Ingrid Moradiam é  aquela menina que me me leva pelas mãos em outras infâncias e me lembra que se eu apontar o dedo para as estrelas, nasce uma verruga bem na ponta do nariz – porque aqui, a lua é a parte principal…

Já eu!! Mariana Gouveia… Ah, No cais outra vez… conheço os ancoradouros de minha infância como se sempre estivesse ali, faminta de amor e possuída de saudades. E ainda nem sabia o que era amor.

o cais a seus pés
e o mar em seu estado bruto
– de onda

Nic Cardeal
é esse ponto cardeal ao Sul… Em metades ou quase nada...
Mentira!
É tudo, essa menina! Inteira… quase fases de luas cheias o tempo todo.

Sabe aquelas fases em que você sempre viveu e que é quase além das fases da lua que conhece?
Rebeca Navarro é esse grito na garganta que fica calado. E que quando solta consegue voar pelos plexos lunares.
Nos aposentos fechados para o dia é bem ali, detrás da cortina que me contive na voz e nas palavras. Aluei!

As luas em suas intensidades me deixa avuada de lua… e avuada era a palavra que me definia para minha mãe:
– Esse jeito de lua que você tem, menina… Parece avuada! Essa letra feita de satélite nas pontas do dedo…
Por falar em lua…

e essa Lua de Papel que sempre me domina?
Posso ser eu, assim?

 

Mariana Gouveia
Sete Luas – Scenarium Plural Editora

 

 

 

Maratona de Outubro – 7 – Como escolho os livros que leio?

“Eu gosto de dizer que construo para os olhares,
para no caso, o seu – habitat!
Gosto de pensar que, de palavra em palavra,
eu vou me desfazendo de mim para que uma vez,
em estado de abandono, você me encontre!
E me leve com você!”
Lunna Guedes

eu poderia lhe dizer “divirta -se”, mas prefiro dizer: “embriague – se” porque combina com café, e essa realidade é tão minha.”
Lunna Guedes

Bambina mia,

Foram sete cartas-livros como tu disse, nessa semana, que para mim foi pesada e ao mesmo tempo suave – por culpa tua, devo dizer.

E baseada nessas dedicatórias de Lua de Papel venho responder a última pergunta. Antes, devo dizer que, é uma delícia escrever para ti. As palavras fluem em mim e me abro. É realmente como se tivesse com lápis e papel em mãos para te dizer o que sinto. E sei de sua ansiedade com palavras, papel e letras.

Mas, a história aqui é dizer como escolho os livros que leio. São eles que me escolhem – como tuas Luas – e os títulos me ganham. Em toda minha vida sou mais lunar – olha tu aqui em mim – e sou de fases também – uia!! – Poderia enumerar cada um dos livros em que o título me ganhou e não haviam em nenhum deles uma capa tipo show… mas tuas Lua de Papel, fora além de toda história que conheço – ai, minha Alê – e outros que a vida me apresentou. Lua de Papel foi show em estória e capas. Pude escolher – nesse caso, único, pude – e tenho a capa mais linda do mundo e recriei em artesanato.

Já fui livro sem capa. Já fui história e já contei as minhas.
Quase me perdi dentro de outras. Mas sempre fui escolhida dentro delas. Era como se tivesse um dedo apontado e ali, em negrito tivesse a palavra me escolha e o livro era eu em dimensão exata de ser.

Das histórias de vampiros ou a mais linda estória de amor.
Pode até ser aquele livro artesanal – e o cuore – como tu diz – explode na paixão máxima e eu repito: por que não fui eu quem escrevi isso?

Grazie per tutti!

Amo Tu!

Bacio
Mariana Gouveia
|Projeto Maratona de Outubro
Participam desse projeto
Ale Helga | Cilene Mansini | Fernanda Akemi | Mari de Castro | Obdúlio Nunes OrtegaLunna Guedes

a minha saudade tem o mar aprisionado…

a minha saudade tem o mar aprisionado

 

na sua teia de datas e lugares.
É uma matéria vibrátil e nostálgica
que não consigo tocar sem receio,
porque queima os dedos,
porque fere os lábios, porque dilacera os olhos.

 

Lunna Guedes, in: Lua de Papel — livro dois
*imagem: Mira Nedyalkova

332. das fragilidades secretas

Bambina mia,

 

Descobri que as esperas são vermelhas – e a saudade, idem – e são intermináveis em dias sem chuva.
O sol de meio dia, assim a pino, e as delicadeza do tempo virando nuvens.

Pode ser que chova mais tarde – o dia é longo – e a previsão é uma encenação da moça do tempo – pode chover a qualquer momento – e as flores se preparam para serem refúgio das vidas minimas que andam por aqui.
O vento traz o cheiro de assado da redondeza. Na rua de cima, uma criança brinca de nascer. E amanhã, a vida acontece mais uma vez dentro dos dias, no seu dia.
Enquanto te espero – e anseio por tuas palavras, dentro do tuo vermelho – o carteiro suspira e solta um ” valha – me, Deus! ” e choveu… primeiro, você chegou em meio aos trovões  e logo uma chuva mansa colocou o cinza para além das janelas. Lembrei-me de que amanhã é teu dia e que a delicadeza começou a surgir rubro em tua janela, na última vez que nos vimos. Converso com o Universo em um eterno agradecer por tê-la colocado em meu caminho.
Que tuo cuore seja sempre feliz. com a emoção a estampar o amor em teu riso!
Que mais posso desejar senão que tua vida seja de emoção?
Feliz tudo!
Bacio
Mariana Gouveia
332. das fragilidades secretas