334. das fragilidades secretas

334. das fragilidades secretas

Listou os livros que leu. Perdeu – se dentro das histórias que lembrava.
Escolheu a nova tatuagem e a frase do dia para a rotina das horas.
O vento é esse menino travesso que traz a chuva pelas mãos. A árvore maior sem folhas, o galho sendo motivo de asas e há uma discordância entre a pena e o pouso.
As palavras escritas em um idioma noturno. A história da flor contada de mil maneiras diferentes.
Era uma vez, o tempo que acabou. Rio abaixo, todo vento é torto.
As flores traduzem a expressão da semente. O coração é essa ocupação constante dos sem-ninguém.
A lista, as regras, a colheita… perdeu – se.
As fragilidades secretas traduzem a cor que o jardim inventa.

Mariana Gouveia
334. das fragilidades secretas

 

 

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332. das fragilidades secretas

Bambina mia,

 

Descobri que as esperas são vermelhas – e a saudade, idem – e são intermináveis em dias sem chuva.
O sol de meio dia, assim a pino, e as delicadeza do tempo virando nuvens.

Pode ser que chova mais tarde – o dia é longo – e a previsão é uma encenação da moça do tempo – pode chover a qualquer momento – e as flores se preparam para serem refúgio das vidas minimas que andam por aqui.
O vento traz o cheiro de assado da redondeza. Na rua de cima, uma criança brinca de nascer. E amanhã, a vida acontece mais uma vez dentro dos dias, no seu dia.
Enquanto te espero – e anseio por tuas palavras, dentro do tuo vermelho – o carteiro suspira e solta um ” valha – me, Deus! ” e choveu… primeiro, você chegou em meio aos trovões  e logo uma chuva mansa colocou o cinza para além das janelas. Lembrei-me de que amanhã é teu dia e que a delicadeza começou a surgir rubro em tua janela, na última vez que nos vimos. Converso com o Universo em um eterno agradecer por tê-la colocado em meu caminho.
Que tuo cuore seja sempre feliz. com a emoção a estampar o amor em teu riso!
Que mais posso desejar senão que tua vida seja de emoção?
Feliz tudo!
Bacio
Mariana Gouveia
332. das fragilidades secretas

331. das fragilidades secretas

Os olhos de ver embaçados pelas cortinas tênues que as nuvens oferecem.
A vida é essa coisa insana que vem com notícia de morte.
As perdas se juntas em conchas nas mãos – enquanto outra vida, logo ali, ri nos braços – e as lembranças surgem como se puxadas por um fio.
A iluminura do dia, o  irmão e seu estado de pensar, com o capim no canto da boca a mastigar poesias.
O ar que falta dentro dos passos. A ave de ontem a anunciar que os sinais se repetem.
A crença da mãe a desenhar histórias no olho da ave.
Acatava o aviso, mas não partilhava da mesma ideia. Sabia que a morte que acontecia – e o acaso sempre fazia uma coruja aparecer nos arredores – era porque tinha de ser e que era inerente ao pássaro.
Os olhos embaçados pelas cortinas que acolhem o afago…
A vida, é esse estado grandioso que se chama hoje.
Viva – o!
Mariana Gouveia
331. das fragilidades secretas

330. das fragilidades secretas

Houve sol.em tudo que é canto no quintal, caminhou pelas ruas como quem busca sossego. Era rubro o silêncio da tarde e antecedia a ave,  Podia ser um nome, uma lembrança. O medo que a mãe tinha da ave – que segunda ela trazia mau agouro – e a tarde a findar em tons laranjas para o lado do sul.
A rua que antecede a curva do campo. O olho fixo no passado buscando alternativas de cura.

A história contada mil vezes na rua de cima. O vento branco a espalhar o cheiro do capim verde, a atrair lembranças.
Já não é o branco na parede e a cadeira ali, inanimada diante da janela e a mãe…
Tudo era esse jeito da ave que trazia nos olhos a sabedoria e no olho da mãe, a crença;
Mariana Gouveia
330. das fragilidades secretas

329. das fragilidades secretas

Anoto em uma carta as frases que diria…
As sombras na parede espanta a solidão enquanto o sol aquece os corredores vazios.
O jardim envernizado com flores de plastico esconde a parede oca para o futuro do nada.
Descobri casas abandonadas na minha rua. Cada uma grita um nome quando a noite cai.
Hoje é dia de vermelhecer em algum canto do mundo. Os intervalos entre o vento e o muro é o calor.
Alguém canta na redondeza. Contam histórias de horóscopos e tarôs. vejo as constelações todas num céu sem nuvem… o rumor da pele desenhando tatuagens. Misturo os assuntos e rasgo a carta.
As frases ficam soltas em uma estrada diferente da outra. o mar afasta a possibilidade de escolha. Em algum lugar, a estrela fica fora do céu.O vermelho ao meu redor é apenas a vontade de estar onde não estou.

Mariana Gouveia
329. das fragilidades secretas

328. das fragilidades secretas

Riu na sorte do dia. Era o ar líquido que trazia a maresia. Nenhum lugar cabe quando no peito o ar falta.
A casa é pequena e perdida para quem não conhece o espaço. Todo voo é cego quando a vida pousa na sorte.
No silêncio da noite as aves não voam. Os sons da casa era minha voz rasgando os estuques.
Os rumos das viagens em roteiros marítimos. Permaneço onde bate o vento. A simbologia da vida é o toque…

[ então, não vivo ]

às vezes, a solidão é esse latido estranho do cão no portão quando vê a ave que beija a flor no varal de roupas.
às vezes, o destino certo é o pouso…

mas, o que nos prende à terra é o medo de voar.

 

Mariana Gouveia
328. das fragilidades secretas

327. das fragilidades secretas

Recebeu cartas de quem partiu.
Era puro amor além das palavras – tem dia em que o carteiro vira Papai Noel e espalha boas novas sem a música do: “então, é Natal!”- e a vozinha da menina ecoa ali, além das palavras. Fala do pássaro de todo dia. Usa o mensageiro que bagunça o cabelo – o mensageiro era o vento, esse menino torto que faz traquinagens no quintal – assobia e leva o cheiro das frutas para a rua de cima e traz de lá o cheiro dos bolos assados, nessa troca incessante de amor.
A árvore é esse corpo cheio de aves. O bem querer quase me viu.
Na rua de cima, o céu é livre e tem gente com desespero de liberdade. Tudo é direcionado de acordo com o movimento do vento. Até asa voa…

As aves da alma flutuam como se pudessem voar. O casulo da vontade, preso na liberdade da metamorfose.
Seria a nuvem atravessadora de ritmos? Era quase dança o movimento do vento na árvore seca… na rua de cima, as árvores respiram o verde que nem veio. Era apenas um desenho no muro, tatuado o nome incluso no meu e a encruzilhada onde as estradas se dividem entre o poder e o querer.
Tem noites que as árvores perdem o sentido de raiz. Tem noites em que a rua de cima é só invenção minha.
Mariana Gouveia
337. das fragilidades secretas