Fazia frio nos olhos dela

e eu pensei em ajudar, mas havia frio também nos meus olhos
As velhas senhoras dos meus poemas sempre veem conversar,
Ainda há tanta beleza nos olhos delas,
E elas aprenderam a sorrir das tristezas,
As faces com velhas pinturas, algum ouro antigo nas molduras, 
Uma forma madura de iluminar os problemas,
Os caminhos nos mapas a dizerem do mundo
Coisas que não precisam voltar,
Mas me contento em me aquecer nos olhos delas

Charles Burck
* imagem: Marta Bevacqua

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os poemas que fiz pra você
são seus
ou meus?

 

Carla Carbatti
*imagem: Rimel Neffati

Perdi as mãos por tão pouco.

Por uma gota da água dos teus olhos,
pelo rumor na tua boca,
pelo ciciar dos ventos nas muralhas.
perdi as mãos por tão pouco…
Ficou-me a fome na boca,
fome de quem nada deseja
para além da antemanhã.
Acho um a um os meus dedos
delgados, ventos nos cabelos,
as palmas das mãos tão sulcadas,
tão leito onde as águas se demoram.
Com as minhas mãos perdidas
encontro branca
a nudez das tuas.
Com elas brinca
a fragrância da madrugada.

Lília Tavares
*Imagem: Andreas Kiss

Veste-me a seda

Marta Orlowska 8*imagem: Marta Orlowska

das tuas mãos
serenas
Veste-me a roupa quente da tua pele
e aperta-me com o cinto dos teus braços
no lugar onde o meio traz cansaços
Evita que na ausência de ti gele

Recorta-me
em pequenos pedaços
Ata-me em laços
e guarda-me no coração
antes de saíres para o mundo
e bater no fundo
da traição que te apetece

 

Edgardo Xavier
*imagem: Marta Orlowska