Flor

Frederike berger

A tua roupa interior
tem como tecido
a minha pele

 

Gonçalo Salvado
*imagem: Frederike Berger

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A arte de ser são

A arte de ser são
*imagem: Tumblr

Do coração
Essência
E favo
Disjunta

Quem todo
De néctar
Se unta

As abelhas
Enlouquecerão

 

(Cris de Souza)

Dei-lhe o nome de flor

Dei-lhe o nome de flor

Chamava ela pelo nome e docemente ela respondia.
Trazia sorrisos, às vezes, quando me atendia.
Quase nunca o coração.
Não sabia extrapolar as coisas – dizia –
era feita de matéria perene, ela – a que eu criei.
Nos meus sonhos vinha feito névoa.
Me tocava com a maciez das nuvens e eu era etérea. A felicidade cabia tudo dentro de mim.
Dei-lhe o perfume do nome. O toque das pétalas. Dormia sobre ela. Por ela
e quando amanhecia eu dançava para ela, chovesse ou fizesse sol e regava as sementes que enviou para o jardim.
Um dia, chamei seu nome. E não veio riso, nem coração. Não veio nada.
O eco vagou pelos quartos todos. Visitou gavetas. Bateu janelas e ela não estava.
A montanha onde venta ecoou em resposta do meu grito.
Procurei-a nos lugares, e feito névoa se dissipou.
Eu, que buscava minha lucidez perdi de vez.
Endoideci. Ainda assim a chamava. Ora com a calma do amor,
ora com a tirania dos amantes. Com a raiva de quem endoideceu de amor.
Não veio mais. Nem em sonho.
Desde então, nas madrugadas vazias vago pelas ruas, nua. Coberta apenas com a flor que ela me plantou, com o riso de doida no olhar, cantando o nome dela como se fosse canção.

Quando o sol sai. Volto ao normal. Se bem, que sem ela nunca sei o que é normal.

Mariana Gouveia
*imagem: Anna O.

what a sweet lullaby

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Querer,
quero uma canção
sussurrada ao búzio do meu ouvido
um murmúrio apenas
sem penas,
palavras nenhumas.

Querer,
quero o teu cheiro
depois do amor,
o teu hálito morno,
verão do meu passado
perdido no limite do mar
a embalar – me o corpo até o sono.

Raquel Serejo Martins.
In: Aves de Incêndio – pág. 14
*imagem: Natalia Deprina

Subversiva

subversiva
*imagem: Tumblr

Vive de flor.
Come a espécie e grita a fome.
Adoece por falta de seiva – a dela –
Clorofila pura do sentido de ser natural.
Ama.
Por dentro, flor espalha em tudo que é canto.
Veia, sangue, ar. Respira jardim.
No sentido pleno da frase.
Dentro dela germina vontades… da essência dela em todo lugar.
Reage quando muda de espaço.
Trepa no limite do que pode sugar.
A história dos outros dentro da sua.
Subversiva, vive de flor.
Por que, só assim, pode viver.

Mariana Gouveia