Leu algo aqui

Leu algo aqui


Leu algo aqui
sobre preferir os homens
que assentam tijolos
comprou logo um milheiro
e começou
a assentá-los
digo isso e
me engasgo toda
[ o cimento na garganta ]
_acho que tô precisando me casar
só pra ver qual é

Ana F
*imagem: Demetrius Borges Mauro Fotografias

Anúncios

Podia ser aí…

 

Contigo. Com o teu corpo
ainda nu, ou vestido da luz que entra pelas
persianas velhas, trazendo a tremura
das folhas na trepadeira do quintal.

Podia ser de manhã, ou de madrugada,
sabendo que teria de te abraçar para que não
desses pelo frio, com o quarto ainda
húmido da noite, num fim de outono.

Podia não ter sido nunca, se não fossem
assim as coisas: a tua mão ao encontro da
minha, no tampo da mesa, como se fosse
aí que tudo se jogasse, entre duas mãos.

Nuno Júdice
*imagem: Tumblr

178. da geografia das coisas

O campo dá certeza das coisas. O vento aqui traz a leveza da brisa e é cada coração em cada grito;
O céu tem asa em tudo quanto é canto e de noite, traz estrela em cada espacinho dele. Dá para ver as nebulosas e o caminho de Santiago… O Cruzeiro do Sul, bem ao sul vagueia no laguinho onde o cão se banha.
Os vaga – lumes oscilam perto do lago e ele – o cão –  corre atrás de algo que voa…
Aqui, tudo voa – ou quase – e quando a asa vira coração, vira folha – de dia – e de dia, o azul é deslumbrante! Parece vestido de festa e as folhas ficam rendadas para ficar a altura da beleza.
É tudo simples… a beleza da noite se esconde, porque fica tudo mais bonito, assim a olho nu.  O campo ao longe, o barulho da floresta e o riacho sempre espera para depois…
E depois, se transforma em sonho. E de sonho, em toda leveza de ser, eu sou.

Mariana Gouveia
178. da geografia das coisas

Ela sou eu também

ela sou eu tambémMesmo sem querer,
mesmo não querendo uma nem outra,
somos uma só e a mesma. Mas ela trai-me
quando escreve por mim, quando não se conforma,
quando quer tudo.
Ela, a das lágrimas de raiva,
a que nunca te beija com meus lábios. 

 Amalia Bautista