Três poemas de Mariana Gouveia

Três poemas meus na Scenarium Plural!

[o lado de dentro]

Havia qualquer coisa de Santa,
mas havia, também,
qualquer coisa de louca
não sei se o jeito de olhar.
O atrever-se com as mãos
ou o recato do decote, tão íntimo.
Havia qualquer coisa de tímida,
mas, também havia
qualquer coisa de exibicionista.
Não sei se o riso solto
ou a voz quase rindo, quase suspiro.
Havia qualquer coisa de pecado,
de sagrado também…
e profanava em mim
nas mãos que
me descobria a alma


[ és ]

A asa secreta do meu voo
o pouso que aconchega minha alma
A calma que contorna minha paz.
A solidão que acompanha meu espaço.
És.

Não sei se é ninho
se é vento — miragem nos olhos
que te alcança.
És

Corpo que habita a essência
e a esperança livre das manhãs.
Junto de ti, o espaço infinito de voar.


[urgências]

A solidão vagueia em meu silêncio
e…

Ver o post original 98 mais palavras

Ensaio

Haveria voz para calar – me
quando o beijo não chega
E a janela oscila entre a cortina
e o enredo?

Ensaiei mil passos
Desenhei rotas de fuga
para ouvir o meu nome
ressoar em teus lábios

Mariana Gouveia
In – Projeto Coletivo
Scenarium Plural Editora
*fotografia: Antonie de La Roquelle

6 on 6 – Por onde andei?

Meu endereço sou eu
O máximo que faço
é abrir e fechar janelas
para o mundo!
Silvana Conterno

Andei por aí, nas manhãs do meu lugar onde o céu já acontece em seu esplendor logo cedo e a vida começa na rua de cima. É logo ali, que é a saída para o mundo.

E como se fosse um alquimista, o sol se derrama sobre a cidade e alaranja tudo que ele toca. Minha cidade parece feita de papel pintado pelas mãos de um artista que desenha as casas e seus telhados feitos de sonhos.

Andei por chãos onde a fórmula mágica das flores desenham tapetes coloridos nas ruas do meu lugar e a chuva antecede a primavera na essência da poesia.

Se perguntarem por mim, digam que voei.
Alice Vieira

Ah, e andei sobre as nuvens, colhi palavras, letras e abraços… E andei por calçadas com o amor do lado e o riso de cumplicidade na alma.

Voei e pousei na Casa Laranja, nos abraços e distribuí sonhos em forma de livro.

E colhi afetos dentro do mundo Plural onde sou essa caminhante andante por aí.

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 – Scenarium Plural Editora

Participam desse projeto:
Darlene Regina — Isabelle Brum — Lucas Buchinger
Lunna Guedes — Obdulio Nunes Ortega

Portas Abertas – Codinome: Lucidez

 

Quando ganhei essa história, fiquei sufocada alguns dias antes de decidir escrever. Várias perguntas me rodeavam como se a dor de Maria também fosse a minha dor. Foi como se eu tivesse vivido cada instante de Maria e que qualquer frase além do permitido poderia causar mais dor ainda e de repente, a história foi ganhando vida e seguiu o rumo diante do propósito racional de ser. Ser apenas a chave que abre a porta para que você que lê agora a parte final (será mesmo o final?) compreenda o amor em sua essência. De ser o outro. De pensar como o outro. De viver com o olhar do outro. Talvez, essa mesma história com alguns contextos diferentes esteja acontecendo perto de você. Na sua rua, no seu bairro ou em sua cidade. E somente com o olhar sobre o outro, você poderá de alguma forma ser a chave que abre a porta para que a história ganhe ponto final.

Portas abertas – Codinome Lucidez mostra a luta de quem já foi uma sepultada e conseguiu sair da cova da desesperança e do medo. Mostra o amor e seus caminhos, por mais difíceis que seja trilhar por eles. Mostra a amizade e a esperança acontecer depois de tanto sofrimento e abandono.

Mostra o amor, em uma doçura expressa de ser apenas amada(o) e mais nada. Te dedico a resiliência de Maria em viver.

E foi essa força que exala dela que me fez ir até o final. Mais do que uma história de amor, te apresento uma história de vida… com todas as perguntas feitas ainda no início… quem sabe, a vida ainda não me traga as respostas?

Mariana Gouveia
Portas Abertas – Codinome: Lucidez
Scenarium Plural Editora
* Você pode adquirir o livro através do email:
scenariumplural@gmail.com ou pelo whatsApp: 011 9 9134 1745

No Cais Outra Vez

 

O barco de papel ancorado no canto
da mesa da cozinha.
Um envelope a espera da resposta.
A tarde deixando o dia e levando o sol
para navegar outros mares.

Saudades.
A alma ultrapassa a porta
e vai em busca do oceano…
A nado

Sete luas
Mariana Gouveia – No cais outra vez
Editora Scenarium Plural
*Imagem: Freepic

Alice – Uma voz nas pedras

“Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho”.
António Ramos Rosa

 

Comecei a enveredar pela história de Alice logo de manhã. O sol ardia fora do horário de verão e preparei meu café e omelete e me despi diante da história.

Alice foi se desenrolando diante de meus olhos e me lembrei de todas as Alices que cruzaram/cruzam meus caminhos diariamente. À quantas estendi a mão? Quantas eu direcionei portas abertas e aconcheguei em abraços? Quis eu ser aconchego de muitas e quantas não se apresentaram ali com mãos estendidas querendo ou negando o abraço.

As horas foram passando e a escrita apaixonante de Lunna Guedes foi tomando conta de mim e olha só que luxo pude viver. Poucos leitores tem a escritora ao alcance das mãos quando a escrita fica densa e invade sua alma/pele ou seria o contrário e confesso que se tratando de Lunna nunca sei. Não parei mais até que o sol se escondeu e reagi ao sentimento que Alice encantou em mim. Não foi a escrita de Lunna que me tocou – isso, ela faz sempre – foi a história tão próxima e tão real diante da TV, das notícias e dos gritos que ouço para além dos muros na rua de cima. Não foram as histórias se misturando e todas as mulheres que vivem uma história igual ou parecida se transformando em Alices para mim… Foi a história de Lunna ganhando dimensão de voz diante de sua escrita.

Lunna me iluminou em sua Lua de Papel e me verteu de cores em Vermelho por Dentro. Nos Meus Naufrágios delirei… mas Alice, Uma Voz nas Pedras me deixou sem cor e cheguei a me perguntar: o que você está fazendo aí, que não faz nada para mudar as histórias que você conhece?
Captei os sentimentos e não me sai da cabeça a mulher que vive uma relação abusiva e ainda se acha culpada de tudo. Alguém aí se identifica?

Lunna nos leva por caminhos que são tão conhecidos, tão reais que chega a doer e emocionar. Confesso que estou sem ar… Eu, que sempre estive de mãos abertas e braços prontos para abraços e acolhidas me vejo parada, de olho no céu, buscando palavras para aconchego para uma Alice que mora ali, na rua de cima e lá vou eu…

E fui lá, de alma lavada e de coração armado para carregá-la para além dos muros que a prende. De pedra na mão direcionei um caminho e ela dorme na cama do quarto ao lado e tenho certeza de que saberá amanhã escolher outro caminho.

Mariana Gouveia
Projeto Artesanal Alice, uma voz nas pedras de Lunna Guedes.
Solicite o seu exemplar através do WhatsApp 11 9-91341745