245. Entre uma estação e a primavera

Doeu em mim a foto da lua. O braço do mar elevando a maresia em um dia que ardeu.
O galho da árvore a acolher o satélite que brilha no céu. A flor que foi coadjuvante no jardim com o céu habitado de desejo.
Bebo em tua lua o sabor a sal de sua boca. Era um arvoar dentro do peito e essa vontade louca de escancarar a janela e tocar seu nome, feito pétala de flor.

Escrevo-te cartas que a noite escura apaga e o calor ignora a vontade enquanto no noticiário falam da delicadeza do papel. Lembro de sua arte que faz textura no papel.
Da janela vazia, quase te grito e respiro. Desafiei a mesma que você enxerga a me transferir nessa saudade para o inédito e antigo ato de te surpreender e mais uma vez, murmuro seu nome dentro do amor.

 

Mariana Gouveia
245. Entre uma estação e a primavera
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219. das impressões do dia seguinte


A estação, dentro da palavra
A lua, em infinita vezes, encanto.
A realidade é essa coisa descrita de como foi quando o homem pisou na lua.
O rastro a ecoar poesia: a terra, é azul – o homem do espaço disse – e depois, em um poema, o poeta disse: a folha é verde e a água, transparente –  e ninguém me explicou o que era a mistura de tudo.
Amanhã, ela será poesia, na palavras de quem enxergou razão, dentro da beleza da rua, iluminada pela lua.
Quando a confusão de sentidos e a vontade de ser dentro do outro, eclipsei na palavra tato.
Quase toque, quase obscuro o sentimento do que não se pode explicar.
A solidão é a mais crua das verdades e enquanto isso, a natureza se veste e o mundo, se torna um lugar comum porque o céu se torna algo espetacular.

Mariana Gouveia
219. das impressões do dia seguinte

191. da autonomia dos voos

 

Era um vento na janela e não era ficção.
A lua, pendente –  quase um rasgo no céu – cheguei a imaginar que fosse o vento a brincar com ela.
Tão certa de seu poder sobre escorpião rompeu as marés…
Fez o cabelo diminuir – o pai avisou para respeitar a fase – e secou o pé de pimenta rosa. Mas fez com que os brincos de princesa floriram todos de uma vez só.
Quase uma afronta, o vento, a balançar as flores em seu vaso…
E ela, lá, vigilante diurna desse vento atrevido vindo do sul e faz com seu perfume incomode mais dentro das minhas lembranças, do que a lua, tão senhora de si e caminhante no céu.
Quase um delírio a ave em seu verbo de voo a inspirar poemas de amor quando pousa em posição contrária ao vento.

Mariana Gouveia
191. da autonomia dos voos