Entre as tuas aspas

Entre as tuas aspas

Ainda sinto a

  sensação estranha quando ouço

 chamarem alguém com o nome igual ao teu. 

Viro-me instintivamente para atender, 

como se fosse eu.

Zidna Nunes Ziris

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Carta a Janeiro aos cuidados de Zi

Carta a Janeiro aos cuidados de Zi
Sabe, Zi…
Já é de novo um ano novo e como transformei essa carta em um ritual venho trazer notícias para o ano. É melhor não mudar o que deu certo, não acha?
A minha manhã amanheceu chuvosa e as aves todas parece que veio buscar abrigo no pé de hibiscus – que, por sinal, está mais florido do que nunca – e ganharam os voos rasantes de Chiquinho como se o quintal fosse só dele.
Por falar em florido, todo meu quintal está. O hibisco normal está escarlate. Do vermelho mais vermelho. Até os trevos estão parindo flores rosinhas que dá gosto de ver.
Ah, Zi, 2015 foi um ano difícil. Posso enumerar os dias bons. Devem caber nos dedos das mãos.
Foram perdas imensas, acidentes e tragédias que respirei aliviada ontem quando ele anunciava seu fim. Mas, o último dia foi lindo! De suspirar. De engrandecer a alma – só por causa dela – que eu até queria suspender um pouco mais as horas para que durassem um tanto mais as últimas horas do ano.
Mas ele foi. E surgiu esse ano novinho para que tudo seja diferente.
A vida é esse eterno trabalhar e eu busco no plantão as primeiras notícias do ano. Quem nasceu, quem morreu, quem ganhou a mega da virada.
O primeiro bebê a nascer é uma menina e se chama Ana. Não é um bom presságio isso, Zi?
Entre uma notícia e outra, a receita para o almoço, e o pedido de horóscopo para o mês.
Vai ser um ano de desafios, Zi e de emoções.
2016 será regido pelo sol, Zi, esse astro rei que parece que mora aqui no meu lugar. Por falar em sol, até meu girassol floriu e a primavera já acabou. As joaninhas, tão minhas, aproveitam bem a folha e se misturam entre as cores dele.
Então, é isso, Zi. Ritual cumprido, é hora das rotinas todas das notícias irem para os devidos lugares. Peço licença para a astrologia e reafirmo que vou continuar sendo das borboletas – que por sinal nasceram mais duas hoje e ainda há mais casulos a esperar a hora da metamorfose – das joaninhas, do Chiquinho.
Das aves, do sol e da lua.
E aqui, representada por você, abraço a vida, Zi.
Que os sonhos se realizem e que tudo seja mesmo regido pela energia do sol.
O ano vai “avoar”, Zi…as horas correm ligeiras e já está indo o primeiro dia de Janeiro.
Que esse início seja leve e de paz.

Beijo,

Mariana

Carta à Ziris aos cuidados de Janeiro

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Zi, estou eu aqui conferindo as doze constelações. Confesso que não faço isso sempre. Fico embasbacada com os movimentos que elas fazem.

Aqui, o sol se prepara para ir pela última vez esse ano rumo ao ocaso.

Para mim, não funciona como última vez, porque não acredito que haja um portal entre um ano e outro se não mudar as coisas dentro da gente.

A diferença entre o hoje e o amanhã é a sinastria mágica que ocorre com o dia e a noite.
Amanhã já é tudo novo. Ano Novo, vida nova e as pessoas continuam iguais.

Janeiro está logo ali, na mudança das folhinhas, tenho de remarcar a última vez que troquei o gás, a próxima lua cheia para plantar quiabos, tudo para não perder os dias que se seguem, comuns. Vivo todos eles com a intensidade do último dia. Abro os braços no quintal para o vento amenizar o calor, porque embora todos digam que está calor em todo lugar, é preciso que venham em minha cidade para saber o que é calor de fato.

Chiquinho visita o bebedouro todo serelepe e o hibiscus mutabilis amanhã, florescerá e seguirá sua rotina de flor.
Sigo rituais que todos os dias coloca uma imensidão de miudezas no meu quintal e hoje repetindo-as me pego pensando em você e em sua carta à janeiro que você escreveu há quase um ano atrás.

Os pássaros continuam por aqui, os grilos cantantes fazem sua cantoria como que comemorando o universo e as borboletas vagueiam descobrindo asas na rota que elas conhecem tão bem.

E é aqui, sentada sentindo o vento balançar levantando a saia do vestido que dedico este ano e todos os seus dias a você. Seja você a portadora das boas novas a todos àqueles que porventura venham a ler essa carta.
Dedico esses dias que amanhecerão com chuvas, e as gotas embebedarão a terra que recebe as flores. Também os dias de sol, que aquecerá a pele e fará com que o dourado agilize o dia.

Que esteja sempre uma cadeira vazia no ônibus para quando for ao trabalho e se não estiver, que a janela te permita ver coisas que emocionará sua alma.
Que cada manhã te traga coisas novas e pelo menos uma que te faça sorrir.
Essa carta não trará mais poesia aos carteiros, mas prometo que nesse ano que começa amanhã, farei isso acontecer com mais frequência.

Escreverei canções para cantar no banheiro e pelo menos uma vez por semana, dançarei sob a voz encantadora de Amy só para te arrancar um riso quando eu te contar.

O mundo real me manda notícias. Alguém grita da cozinha e tenho de ir cuidar do jantar.
Envolvo-te num abraço caloroso e com ele abraço todos aqueles que amo.
Que a esperança continue se renovando sempre em você.

E que o amor seja morador eterno dentro do seu coração.

Feliz dia cada dia do ano!

Mariana Gouveia

 

Sobre os beija-flores

Sobre os beija-flores

Se os extraterrestres conseguiram mesmo chegar até aqui um dia, aposto que foi para imitar-lhes a engrenagem inovadora de sobrevoar imóveis no ar. Tecnologia de ponta, no caso dos beija-flores.

Zidna Nunes